01 setembro 2007

Nadei e corri



1.000m de natação, tão ansiosa que matei quase todas as viradas olímpicas + 5,7km de corrida, pelas ruas do Menino Deus, de maiô e tênis, só, me achando a tal - tá, eu não gostei de ver as gurias me ultrapassando na corrida, mas...

Bah, eu adorei. Foi domingo passado. Só congelei depois de terminar, porque saí zunindo pra ver a prova da elite. Por razões que a própria razão desconhece eu precisava ver a prova, torcer por alguém especial. Eu acho que inconscientemente eu tava agradecendo a 'ele' a oportunidade. Se não fosse ele, eu nunca teria me sentido tão bem correndo de maiô pelas ruas vazias de um domingo de inverno feio e friozinho.

Mostrei as fotos a algumas amigas. Uma delas me perguntou sobre eu estar em uma competição, cruzando pórtico de chegada com um numeral preso à cintura: "Como tudo isso começou, Loraine?". Eu apenas sorri, e não disse nada. Mas pensei: foi por amor.
Piegas? Ah, leitor, não enche. Vai ver se eu tô passando na esquina, correndo, só de maiô.

Não há a menor chance de 'ele' ler isso aqui. Covardia minha? Não. Na primeira oportunidade, quando eu sentir que ele vai entender, eu vou agradecer pessoalmente.
Mas o que eu queria mesmo é um dia fazer que nem o Santi fez com a Vanessa. E, depois de cruzar a linha de chegada, ofegante, pedir 'ele' em namoro no microfone do Manske. Ele ia achar o "ó". Por isso, ia ser engraçado. Uauaaauaauaauau.


Explicações e correção

Ok, eu ando muito displicente com as minhas coisas. Como esse bLOg querido, tão eu. Mas, tb, o sr-deus-supremo-do-universo-virtual-sir-Google não tem colaborado. É uma lenda pra entrar aqui, desde que caí na burrice de abrir conta Google pra sei-lá-o-que... Ele nunca aceita minha senha, tenho sempre de dizer que esqueci, mas eu não esqueci, só pra poder entrar de novo. É irritante você se perder em janelas que se redirecionam em círculo. Por outro lado, mostra que o Google não é perfeito.
Leu isso, big boss? Vc não é perfeito. Você não entende que eu sou eu. Enfim, ufa, vc é uma máquina burra. O mundo ainda não está perdido.
Eu tenho uma capacidade infinita de recriar senhas - e qto vc? -, mesmo tendo de dizer que a esqueci, quando na verdade eu não esqueci. A gente se adapta às regras.


Antes de prosseguir dando vida a este blog, me dei conta há um tempão q escrevi errado uma palavra no post "Um Jeito". Fiquei pensando as pessoas lendo ali ("as pessoas", como se eu tivesse muitos leitores) e dizendo: 'nossa, a loraine escreve errado'. Eu odeio escrever errado. Falar errado tb. Porque eu acho que sei escrever, e acho que sei falar, ainda que pouco. Então, quando a gente erra uma coisa que acha que sabe fazer bem, a gente fica assim, como eu fiquei, envergonhada. E braba.
Acontece que é justamente a palavra errada que me permitiu gozar, rir do meu post no comentário (sim, eu mesma me comentei). E o comentário ficou melhor do que o post! Então, como faço agora? Se corrigir a palavra, salvo o post, mas mato o melhor dele, o engraçadinho comentário.
Entre o português e o bom humor, eu fico com o bom humor, tá?
Deixa escrito errado. Vcs entenderam.

24 junho 2007

Pororoca

Assisti só agora à Pequena Miss Sunshine. Fazia tempo que não via um filme que a cenas em que tu te mata rindo são rigorosamente as mesmas em que tu te mata chorando. As mesmas. Sensações que existem como sendo antagônicas viram simultâneas. Uma pororoca.
Mas tem um erro nesse meu comentário, q vou corrigir. Pequena Miss Sunshine não é de matar de rir ou de matar de chorar. Mas fazer a correção não desmerece o filme, pelo contrário.
Quero dizer que Pequena Miss Sunshine não provoca a manifestação ostensiva das sensações ou sentimentos de quem o assiste. É tão sutil, tão simples, tão maravilhosamente despretensioso que tu ri e chora com consistência mas sem necessariamente uma explosão. Tu ri e chora como se estivesse olhando um retrato antigo seu ou de sua família, de uma situação que já passou, mas que marcou, portanto, viva. Aí, se chora e/ou se ri serenamente.
A emoção talvez tenha a ver com cumplicidade, a arma maior do cinema. No caso desse filme, somos todos cúmplices nessa percepção subliminar de que a vida é o que acontece enquanto estamos nos empurrando pra frente (empurrando a kombi, como no filme...) na busca de um objetivo, um sonho. Que a vida são os revezes e tb as soluções encontradas, e que o ponto de chegada depende dessa transformação que se dá no caminho.
E acho que é o que sentimos ao ver uma boa fotografia antiga. Tem nas mãos a recordação e, na consciência, o que aconteceu depois daquela cena. Tem nas mãos o que tu era e tu sabe o que se tornou. Aí, tu chora porque se dá conta que talvez não tenha sido bem essa a idéia inicial, mas também ri porque é benevolente com o que foi capaz de ser e pensa que, se voltasse no tempo, talvez não mudasse tanta coisa.
Enfim, é nessa hora q a pororoca é meio inevitável.


02 junho 2007

Um jeito

Bonita, inteligente, até engraçada, sabe ser envolvente, insinuante. Mas é triste. Uma tristeza nata, endêmica. Tem o olhar triste. Falta brilho. E não tem nada mais repelente do que a tristeza.

13 maio 2007

Então, a mãe do Santi gritou meu nome

10km é quase nada, mesmo para quem não corre, imagina para os praticantes. Então, se eu te disser que corri 10km, tu não vais dar bola. Se eu dissesse que não consegui correr 10km, aí tu ias achar alguma coisa. É como o Gauchão pra Inter e Grêmio. Se perde, fica chato. Se ganha, não fez mais que a obrigação.
Então, eu ter completado o percurso de 10km só é importante, passível de valorização, por uma única pessoa: eu mesma. A vida é assim em vários outros aspectos: tem coisas que você faz e só haverá uma pessoa para aplaudir, incentivar. Você mesmo. Esporte e vida têm muitas possibilidades de analogia. A atividade física é muito instintiva. Acho que por isso nosso jeito de ser fica tão evidente. Bastou meio semestre de ginástica olímpica na faculdade para o professor me chamar num canto e dizer: “Sabe por que tu não consegues fazer os exercícios, Loraine? Porque tu não confia em ti”. Tchóóóin!
Bom, mas o assunto não é esse...
Vamos à corrida. A de 10km, que eu completei numa manhã de domingo dessas. Eu e um monte de gente, claro.
O que eu mais lembro daquele dia: de respiração. Há muitas respirações: a tua, a do cara que vai do lado, do cara que vem te atropelando, do cara que está atrás e não vai te passar, do cara que tá na frente e tu não vai ultrapassá-lo, do cara que tu deixa pra trás... Depois, acho que o som mais marcante é o que vem dos pés, da passada no asfalto. Da metade da prova em diante, isso tudo continua, mas no meu caso eu passei a ouvir mais a minha própria respiração e a minha própria passada. É como se todo o resto não existisse. E, no meu caso, eu passei a falar comigo mesmo, mentalmente. Perguntava: joelhos, vocês estão bem? E vocês, pulmões? Pensava no movimento do braço... meu corpo virou uma gigantesca área de pesquisa, e esqueci do resto. Te juro, às vezes tinha a impressão que meus ouvidos tinham sido tampados, tamanho o interesse que eu tinha pelo que vinha do meu corpo, e não do entorno. (Acho até que no final senti uma peninha de não ter curtido mais, olhado mais em volta... algumas pessoas conversam entre si...)
Quando me aproximei do fim, vi o pórtico de chegada, não sei como é com os outros, mas algumas preocupações evaporaram, o fim estava ali, estava tudo bem, entende? Meio que como mágica, quis correr mais. Quis correr o que achei que não podia quando faltavam 2km pro fim. E se deixasse, vibrasse mesmo, corria mais mesmo!
Foi nessa hora que eu ouvi a mãe do Santiago gritar meu nome. Isso foi muito engraçado, eu nem sei por quê.
Foi nessa hora que vi a véia de cóqui, na minha frente, se aproximando do fim também. Ela percebeu minha aproximação e apertou o passo. Eu achei isso genial. Não valia absolutamente nada para nenhuma das duas, mas eu e ela, por segundos, apertamos o passo para nos vencer. Distraída com isso, duvidando de que teria mais força que ela, ou por estar cansada mesmo, ou por não ser exatamente vibrante, não a ultrapassei, e cruzamos a chegada quase juntas, ela um pouco mais à frente. Um cóqui de vantagem.
Em casa, depois, fiquei pensando: por que não passei aquela véia?!?!?


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Esses dias eu fiz um troço que, há um tempo atrás, eu jamais apostaria como provável que fizesse. E nem contei aqui! Deixei passar. Eu sou assim: totalmente antivibração. Que pé no saco...

Eu corri! 10km. Sem parar. E num bom tempo para quem mal dava seis voltas na pista de 400m há pouco mais de três/quatro meses.

Se eu fosse um pouquinho mais vibrante, até teria passado aquela véia de cóqui (cóqui!!) na reta final, rumo à chegada. Teria passado ela, mais umas duas, e meu tempo teria sido menor ainda.

Já explico melhor essa história. No post seguinte. Quer dizer, como eles (os posts) ficam de baixo para cima, você até já leu... Ta ali em cima. Eu não disse que sou antivibração? Até no blog.

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Tem uma coisa no jornalismo que pode ser fascinante, intrigante, irritante.
É isso:
O repórter chega algariado da rua e, depois de largar o bloco na mesa, assanhado pra escrever a história que está quentinha em sua mente, olhos e ouvidos, dá uma passada no bar da Redação. Para assentar as idéias, tomar um café. Ali, ele conta a pauta, a história para uma platéia cujo tamanho varia de acordo com a relevância do assunto que ele foi buscar, mas sempre há alguém prestando atenção. Aí, ele volta pra Redação.
E, no dia seguinte, a história que ele contou no bar é bem melhor do que a publicada no jornal.

Eu ando incomodada com o fato de o jornalismo se afastar tanto da vida real. Ok, sobra vida real em qualquer página do jornal, nem precisa se esforçar para procurar. Me expressei mal, eu acho. Eu quis dizer que o jornalismo anda longe do que realmente importa. É isso que sinto. Ou é uma impressão muito particular, algo ingênuo ou ignorante?

Bem juntinhas

Bem juntinhas
eu e a Búio