Corri bem melhor hoje do que nas duas primeiras vezes depois do gesso no cotovelo. E me refiro principalmente à disposição, não só ao incômodo por dor. Tão disposta eu estava que saí pra correr na rua no horário de que menos gosto, entre 5 e 6 da tarde.
Nessa hora, em qualquer lugar da cidade, a energia ruim do trânsito de veículos atrapalha. Energia ruim, sim. Pressa, barulho, mau humor, cruzamento que tranca, velocidade, buzina, poluição.
Carros e mentes poluindo o espaço. Fica difícil concentrar e prestar atenção no corpo da gente, que é o que é bom de fazer nesses momentos de suor.
Ainda mais no trajeto que eu tinha. Fiquei por perto de casa, e isso significa tomar o rumo da Redenção. Até lá são uns 10minutos de trote pela Protásio Alves e pela Osvaldo Aranha. Fora a irregularidade do piso das calçadas, elas estão cheias de gente. Me senti no Enduro, da Atari, lembra? Lembra do game de corrida da Atari, o Enduro? Me senti um Enduro humano, serpenteando pessoas, reduzindo, acelerando, sem descuidar dos buracos.
E também não temos mais o horário de verão. Isso significa que peguei o escurecer do céu. Não tenho nada contra correr à noite, desde que eu saia à noite.
Não gosto é de sair pra correr de dia e pegar a noite no meio do caminho. É mudar de cenário sem dar tempo de mudar o personagem, entende? É mudar as regras, entende? Não entende? Ah, deixa pra lá.
Eu adoraaaava o Enduro. Vc não? Tenho um Atari em casa... Será que ainda funciona?
23 abril 2008
21 abril 2008
O meu quiche
Não, antes ainda: o dia amanheceu chuvoso, e era a desculpa de que eu precisava para não treinar. Porque muitas vezes a gente precisa de desculpas para justificar a nossa vontade. Não consegue apenas assumir a vontade. E a minha vontade era não treinar. E o dia amanheceu feio, com chuva. Não que isso fosse uma ótima desculpa. Já treinei com chuva. Não uma, várias vezes, e adorei. Porque estava com vontade de treinar. E quando tu tem vontade de fazer uma coisa, tu faz, independentemente de qualquer coisa. Então, a chuva era apenas uma desculpa que servia.
De trabalho, eu tinha apenas um compromisso: uma reunião às 14h. Depois disso, decidi me entregar àquela vontade que eu não aceitava, mas fui obrigada a aceitar, porque era o que meu corpo pedia: a vontade de ficar escondida em casa. Lembrei da receita. Da vontade de fazê-la, para enfim devolver o prato da minha amiga. Não que eu não tivesse mil coisas mais importantes para fazer, mas essas mil coisas não estavam conectando comigo... Tava difícil focar... me concentrar... Então, lembrei da receita. E todo o resto fica pra depois.
Minha amiga havia feito um bolo de chocolate para mim no meu aniversário, e o prato está aqui ainda. Amanhã não estará mais. Vou devolvê-lo com algo dentro: a receita que acabo de fazer. Meu aniversário foi no final de fevereiro... E até eu comer o bolo, veio março. Aí, a minha amiga saiu de férias. Pra Patagônia. Pra ver os pingüins e salvar o casamento. Viu os pingüins (as fotos das geleiras são mais impressionantes), mas não salvou o casamento... E aí depois eu me acidentei, e o braço direito ficou comprometido, visto que fazer a receita, fazer o prato, foi uma decisão adiada até agora...
Então, eu abri o vinho e comecei a fazer a receita... Abri o vinho e liguei o rádio. E fui fazendo a receita. Gosto da parte em que tem de misturar a farinha à manteiga. No começo, é estranho seus dedos afundarem naquele macio que é manteiga. Mas em seguida fica gostoso. E tuas mãos se misturam na farinha e na manteiga a ponto de tu não distinguir os dedos. E é gostoso. Vai misturando, misturando, tu tem certeza de que nunca mais verá teus dedos, que aquilo nunca mais vai se desgrudar, mas de repente a coisa faz sentido. Tua mão vai ficando lisinha novamente, e a massa também. Sim, a farinha, a manteiga e água se transformaram numa massa homogênea. Mágica. Culinária é um pouco isso, né? Comecei a pensar como que, na gênese, cozinhar é na verdade apoderar-se de algo. Você se sente com poder.
Fiz algumas mudanças na receita. Gosto de inventar... Daí lembrei da vez que fiz um quentão prum cara... e segui à risca a receita... Enquanto aquecia, ele me dizia isso: que não fazia nada à risca, ia colocando os ingredientes como que por intuição. No meu íntimo, concordei. Eu sou assim tb. Mas quando a gente se apaixona perde a naturalidade, a espontaneidade... Por isso, segui à risca a receita do quentão... no fundo, não queria o risco de errar. A receita seguida à risca era pra agradá-lo, mas isso eu não disse, né... ah, se a gente tivesse consciência, durante todo o tempo, que o que faz o outro se apaixonar é justamente a nossa naturalidade, né...
Voltando.
A rádio em que liguei começou a tocar músicas conhecidas. E quando me dei conta cantava sozinha na cozinha, com a taça de vinho na mão. Dançava e cantava.
".. o que eu quero é que ela quebre a minha rotina...", dizia o Lobão.
"...Não quero luxo nem lixo / Meu sonho é ser imortal... (...) E como vai você? Uma pessoa comum, filho de deus...", dizia a Rita Lee.
Quanto mais eu bebia, mais conhecidas me pareciam as músicas... Beeemmm bom. Pensei nos amigos, nas pessoas próximas, nos últimos acontecimentos, pensei em um monte de coisa junta e... neste clichê: em como na vida às vezes falta uma receita pra gente seguir, né?
Os treinos? Ah, ficam pra amanhã... Na real, não sei o que fazer com eles enquanto o cotovelo não fica bom... Dúvidas, dúvidas, dúvidas... Nossa! A Loraine-dramática atacando novamente.
O vinho acabou. A tarde se foi. A receita ficou pronta (foto).
O prato que fiz se chama Quiche Lorraine.
É francês.
Quiche Lorraine. Nossa, só penso em mim...
Você não? Ah, tá?! Vai dizer que vc pensa em como salvar o mundo? Ahã, me engana que eu gosto.
Quer um pedaço de Lorraine?
19 abril 2008
Dúvida no supermercado
Quando me dei conta, soltei uma risada, fechei os olhos e peguei qualquer um. O cara que estava ao meu lado, diante a prateleira, ficou me olhando...
É que demorei alguns segundos para me dar conta do absurdo: eu estava tentando escolher qual levar, se o xampu liso perfeito ou o xampu liso extremo.
hahaha
É que demorei alguns segundos para me dar conta do absurdo: eu estava tentando escolher qual levar, se o xampu liso perfeito ou o xampu liso extremo.
hahaha
18 abril 2008
Outdoor de novela
"Um gesto de carinho vale mais do que mil palavras bem preparadas. Te adoro. Queres casar comigo?"
Tem um outdoor com essa declaração aqui perto de casa. Letra caprichada, meio gótica, em preto, num fundão branco. Achei estranha a expressão "bem preparadas" para palavras, mas isso não é importante. Todo mundo entende o que o cara quis dizer...
Eu acho 'du caralho' conseguir dizer 'eu te amo' - que é o que o cara mais ou menos está dizendo. E se não é, ao menos pra ter colocado em prática a idéia do outdoor, deve ter bebido na mesma fonte que buscamos quando dizemos 'eu te amo'. A fonte da coragem.
Ao menos pra mim. Eu precisei de muita, porque eu nunca tinha dito. Talvez porque quando disse tenha sido a primeira vez e ainda não houve a segunda... sei lá... Eu acho que a coragem é recrutada quando o sentimento é puramente verdadeiro, independentemente das circunstâncias (e às vezes elas não são as ideais, como nos filmes ou nas novelas - e vc vai ficar esperando a situação ideal?).
Quando o sentimento É, não tem como mudar. Vc ignora, decide que não quer isso, que não adianta, etc etc, mas o sentimento segue lá, intocado, sem arredar um centímetro do lugar onde se instalou em vc. Porque a verdade é. Ela ignora as circunstâncias, a lógica, a razão e apenas É. Por isso, toda revelação da Verdade exige coragem. Porque a verdade desnuda algo ou alguém.
Voltando ao outdoor. O mais legal ali, eu achei, são os nomes dos personagens. A declaração é endereçada a Pilar. E quem assina é o (corajoso do) Fênix.
(Ok, mas o Fênix não disse 'eu te amo'. Ao menos, não publicamente... eu disse que é difícil!)
Fênix e Pilar. Nomes diferentes.
Se é para viajar, então vamos lá. Pilar vem do espanhol, e quer dizer fonte. Fênix é do grego, a lenda do pássaro que se queima todo numa pira (fonte? fonte Pilar?) e renasce das cinzas, ganhando a imortalidade da alma. Algo como isso, não sei ao certo.
Tudo com a Pilar agora... Fênix está "ardendo" nessa fonte (pira). E renascerá, seja qual for a resposta da Pilar, porque dizer a verdade, acredito eu, garante sobrevida a qualquer alma.
Ih, viajei.
:)
Seguinte: achei esse site aqui, sobre significados de nomes enquanto escrevia este texto. Não achei Loraine... :(
Só tem variações. Gostei mais dessas:
Loris (tem gente q me chama assim) - origem germânica, quer dizer "chama, flama".
Lokelani (adorei!! lo-ke-la-ni) - origem havaiana e quer dizer "bela flor".
Tem o Lora, o Lorena... enfim. Mas não tem Loraine.
Tem um outdoor com essa declaração aqui perto de casa. Letra caprichada, meio gótica, em preto, num fundão branco. Achei estranha a expressão "bem preparadas" para palavras, mas isso não é importante. Todo mundo entende o que o cara quis dizer...
Eu acho 'du caralho' conseguir dizer 'eu te amo' - que é o que o cara mais ou menos está dizendo. E se não é, ao menos pra ter colocado em prática a idéia do outdoor, deve ter bebido na mesma fonte que buscamos quando dizemos 'eu te amo'. A fonte da coragem.
Ao menos pra mim. Eu precisei de muita, porque eu nunca tinha dito. Talvez porque quando disse tenha sido a primeira vez e ainda não houve a segunda... sei lá... Eu acho que a coragem é recrutada quando o sentimento é puramente verdadeiro, independentemente das circunstâncias (e às vezes elas não são as ideais, como nos filmes ou nas novelas - e vc vai ficar esperando a situação ideal?).
Quando o sentimento É, não tem como mudar. Vc ignora, decide que não quer isso, que não adianta, etc etc, mas o sentimento segue lá, intocado, sem arredar um centímetro do lugar onde se instalou em vc. Porque a verdade é. Ela ignora as circunstâncias, a lógica, a razão e apenas É. Por isso, toda revelação da Verdade exige coragem. Porque a verdade desnuda algo ou alguém.
Voltando ao outdoor. O mais legal ali, eu achei, são os nomes dos personagens. A declaração é endereçada a Pilar. E quem assina é o (corajoso do) Fênix.
(Ok, mas o Fênix não disse 'eu te amo'. Ao menos, não publicamente... eu disse que é difícil!)
Fênix e Pilar. Nomes diferentes.
Se é para viajar, então vamos lá. Pilar vem do espanhol, e quer dizer fonte. Fênix é do grego, a lenda do pássaro que se queima todo numa pira (fonte? fonte Pilar?) e renasce das cinzas, ganhando a imortalidade da alma. Algo como isso, não sei ao certo.
Tudo com a Pilar agora... Fênix está "ardendo" nessa fonte (pira). E renascerá, seja qual for a resposta da Pilar, porque dizer a verdade, acredito eu, garante sobrevida a qualquer alma.
Ih, viajei.
:)
Seguinte: achei esse site aqui, sobre significados de nomes enquanto escrevia este texto. Não achei Loraine... :(
Só tem variações. Gostei mais dessas:
Loris (tem gente q me chama assim) - origem germânica, quer dizer "chama, flama".
Lokelani (adorei!! lo-ke-la-ni) - origem havaiana e quer dizer "bela flor".
Tem o Lora, o Lorena... enfim. Mas não tem Loraine.
11 abril 2008
Mundos paralelos
A cliente não tem água para oferecer.
Eu, com muita sede, saio e atravesso a rua para comprar uma garrafinha num boteco (ok, não havia botecos por ali).
200ml de água sem gelo e sem limão na Padre Chagas: R$ 3,20
(veja bem: eu escrevi 200ml, e não 500ml, acho até que era 180ml, não matou minha sede).
Em casa, horas depois, peço pelo telefone uma nova bombona de água, daquelas de 20 litros. Preço: R$ 6.
(20 litros!!! sem gelo e sem limão também... :)
Isso que eu chamo de mundos paralelos.
Eu, com muita sede, saio e atravesso a rua para comprar uma garrafinha num boteco (ok, não havia botecos por ali).
200ml de água sem gelo e sem limão na Padre Chagas: R$ 3,20
(veja bem: eu escrevi 200ml, e não 500ml, acho até que era 180ml, não matou minha sede).
Em casa, horas depois, peço pelo telefone uma nova bombona de água, daquelas de 20 litros. Preço: R$ 6.
(20 litros!!! sem gelo e sem limão também... :)
Isso que eu chamo de mundos paralelos.
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