16 dezembro 2008

Um dia de fúria

Tipo assim. É sábado à tarde e faz calor. Melhor, melhor: tarde de sábado anterior ao Natal e faz muito calor, muito. Você dentro do supermercado. Melhor: tarde quente do sábado anterior ao Natal e você dentro do Big ou do Carrefour. Agora, o detalhe ar-ra-sa-dor: no ar, músicas natalinas!
Então é isso: tarde quente do sábado anterior ao Natal, dentro do Carrefour, lah na Bento, ouvindo canções natalinas!!!!

Sabe o que pode ser o cúmulo do estresse, da correria total do dia-a-dia? É você ter de pensar/decidir naquele tempinho mirradinho que sobrou, não se imagina nem como possa ter sobrado, decidir se você mija ou toma água.

Tah, eu não tenho nada contra o Papai Noel. Tah, eu tenho sim. O problema é a relevância. Ou a falta dela. Por que as pessoas fazem tanto teatro? Só eu que sinto isso? Só eu???
Pô, gente, vamos lá! A gente pode ser e fazer mais do que isso. Vambora.

Sei não... Se essa coisa de atirar sapatos nos outros pega...

14 dezembro 2008

E vamos ver no que vai dar

Suspenderam os jardins da babilônia. A vaca foi pro brejo. O tecido deu de si. A velha subiu no telhado. A volta dos que não foram. A lua fora de curso. Água mole em pedra dura. E quando chegar a meia-noite, tem de pular sete ondas. Cada macaco no seu galho. E vamos dançar a noite inteira. O olhar 43, aquele assim. Com a faca e o queijo na mão. Não pisa na grama. Como vai você? Não tranca o cruzamento. Ommmmm. Desmarca a reunião. O cachorro com a cara no vento na janela do carro. Junta o cisco. Tira o pó. Que cor você vê? Não confunde as senhas. Tem pão velho? O copo d'água alcançado na curva. A pergunta da criança. Tira a mão daí. A noite em claro. Fecha os olhos e abre a boca. Abre os olhos e fecha as pernas. O mar de gente, o calor senegalesco, o próspero ano novo. Faz frio. Lágrimas de crocodilo. Para que pentes de pentear? Mágica e lógica. Um olhar que vale como um beijo. Um beijo que pode valer como uma transa. Uma transa que não vale um beijo seco no dorso da mão. O abraço que entendeu tudo. E ela falou que não é sempre uma questão de ganhar, mas de descobrir do que você é feito. E ele disse que crises testam convicções. E todos acharam um absurdo. Roeram o osso. Você está bem mesmo? E ele disse que não adiantava. E antes dele aquele outro disse que esperava que eu chorasse. Mais do que chorar, eu lhe revelei uma verdade. Ele gostou da surpresa. Vai chover. Sandra de Sá ou Tina Turner? www.nãotôpraninguém.com.br

O que quer dizer esse texto? Eu não sei.
Por que você leu até aqui? Não sei. O texto não tem fim. 

Não tô louca. Um texto triste não quer dizer que sou ou estou triste. Um texto engraçado/feliz não quer dizer que sou ou estou engraçada/feliz. Os textos são só textos.
É só uma vontade. Uma vontade maior, pra qual a gente solicita companhia. Como aquela frase na contracapa daquele livro do Galeano que eu não li. Uma frase que valeu por muitos livros. O garoto, embasbacado com a paisagem, pede ao pai: "Me ajuda a olhar".
É isso. 
Psss. Escuta. O tempo parou pra te esperar. Saudade do que não se ouve.

12 dezembro 2008

Sem noção

Sempre que conheço uma Duda ou um Duda, penso: isso não quer dizer que ela/ele se chame Eduarda/Eduardo. Pode ser Loraine ou Loraino.
Duda é um dos meus apelidos. De casa. Uma porção de gente me chama de Duda - a maioria dessas pessoas é da família. Sei lá por que um dia minha mãe passou a chamar de Duda e Dadá as filhas gêmeas que ela queria que fossem Juliana e Daniele e meu pai colocou Loraine e Liliane. 
Lo, Lolo, Loluz, Lori, Lola, Duda, Dudu. Tenho alguns apelidos. Mas o mais certeiro deles é até meio recente. Ganhei durante uma viagem a trabalho para a Alemanha há três anos. 
Sem-noção. É assim que me chamavam os outros jornalistas. Só porque eu perdi o vôo de ida, só porque quase fui buscar meu passaporte na pista, na porta de uma aeronave Varig, só porque não levei casacos... só porque enfim... deixa pra lá. Mal sabem eles que o melhor da viagem foi justamente perder aquele vôo e ter de chegar sozinha a Frankfurt e depois a Munique arranhando muito no inglês e sem entender nadica de alemão. 
Minha chefe na redação na época gostou das histórias que contei de lá e adotou o "apelido".
- Ô, sem-noção, vem cá - dizia ela.
Esses tempos nos encontramos na rua. Parei na sinaleira, olhei pro lado e lá estava ela, a minha ex-chefe. Eu no jeep, ela num Scenic, eu acho.
Eu: "Beeeeeeella, olha pra mim!!!"
Ela: "LORAINE! O QUE TU TÁ FAZENDO NESSE JEEP? Mas é uma sem-noção mesmo..."
Rimos as duas.
Próxima sinaleira.
Ela: "Mas me diz uma coisa, e se chover?"
Eu (o jeep não tem capota): "Se chover, molha!"
Ela (arrancando o carro): "Sem-noção!!!"

Eu gosto desse apelido. Definitivamente, eu gosto de ser sem-noção.
Eu sou.
Gente muito esperta me cansa. E tá fora de moda.

***
Ok, agora chega de posts tão assim eu. Vou olhar pra fora nos próximos. Eles serão sobre esse tudo que nos cerca. Tem tanta coisa pra fotografar no mundo. Fotografar com um texto. 
Como diz aquela música (Cowboys Espirituais? TNT? Cascaveletes? Sempre confundi todo mundo.. sem-noção neh...):
"O mundo é maior que o teu quarto", garota.


04 dezembro 2008

Vou entrar pra história

Por que ter/ler blogs?

***

É sempre assim quando encontro algum ex-colega. 
O encontrado: "E aeh, como é q tá? Que anda fazendo?"
Eu (ganhando tempo): "Eu?"
Aí, vasculho o hardware aqui, fuço ali, fuço lá, olho atrás dos móveis e dentro das gavetas e, ah, sim, encontro a resposta: "Nada!"
Então, o encontrado ou a encontrada solta um "ah" seguido de um sorrisinho monalisa, daqueles que segura algo, não imagino o q, mas segura algo que não sai. 
É quase sempre assim. Mas ontem foi diferente. E tive uma idéia. 
Adoro ter idéias. Executar é outra coisa, mas tê-las, ah, é do que mais gosto. Eu costumava dizer que o dia que eu não tinha alguma idéia lá no trabalho era como se não tivesse trabalhado.
Ao fato, pois.
Estava eu ontem esperando o TÍ Seven na parada do ônibus depois de encontrar uma amiga quando vejo, e ele me vê de volta, um ex-colega-do-bem-quase-amigo esperando também o TÍ Seven. Era perto das 10 da noite e ele fugia da Cidade Baixa, onde mora, por conta da festunça (mistura de festa + bagunça) que os colorados prometiam fazer (e fizeram). Ele mora bem em cima de um dos tantos barbotecos da Cidade Baixa. Mas a verdade verdadeira é que ele é muito, mas muito gremista. Cara do bem ele, bacana, mas que realmente perde o controle diante a alegria do adversário. Esse meu ex-colega-do-bem-quase-amigo gosta da palavra bacana tanto quanto eu. Bacana isso. Enfim. Nos vimos e lá veio ele:
- E aeh, como é que tá?
- Tudo bem!
- Bacana. Que tá fazendo?
- Eu? (... tempoooo!...) Nada. Vagabundeando.
- Que bom! - ele disse!!! - Eu sou da opinião que, se tu vagabundeia e não faz mal a ninguém, então, tá beleza. É  o teu caso neh?
(e o sorriso monalisa pulou pra minha cara) 
- É! 

Foi nesse momento que me veio a idéia! 
A de criar o movimento dos vagabundos não-violentos. Porque o problema do mundo são os vagabundos violentos! Vim pra casa pensando em tudo no ônibus! Vou convidar um amigo designer, vagabundo não-violento que ele é também, só não sabe ainda, vou convidar ele para fazer um logotipo do Movimento pela Vagabundagem sem Violência (MVV? MV2?). Então teremos uma bandeira, um site, e depois só precisa daquele papinho de-onde-viemos-pra-onde-vamos, e parará-piriri, pronto! Entrei pra história.

***

Então, me diz: onde eu despejaria essa "brilhante" idéia (pra uma quarta-feira à noite...) não fosse um blog?! E a gente escreve, escreve, escreve. Coisa séria, coisa engraçada, coisa boba, coisa importante, viaja, viaja, viaja, e cada um pensa e interpreta dum jeito. Não tem controle. É uma viagem só. Cada um prum lado, mas todo mundo xunto-incluído.
Essa é a bossa: as pessoas exporem, exibirem idéias, boas ou ruins, bregas ou brilhantes, não importa. Confiar nas conexões possíveis e impossíveis que fazemos diante os outros, e estes outros também fazem quando nos lêem. Essa é a revolução. Muitos não acham. Mas é que acreditam que revolução precisa de barulho e palco. Não precisa. O sutil tem força.

Ok, esse final era dispensável, hehehe. Me entusiasmei. Ah, mas o bLOg é meu... Vai lá cuidar do teu.





01 dezembro 2008

Sonho de panga

Há no mínimo dois resultados depois de uma prova. Aquele que confronta o seu com os dos outros e aquele que compara você a você mesmo. Qual o que importa? 
O que inclui os outros, claro, hahaha... 
Falando sério: tem coisas que é mesmo só vc e vc durante uma prova. Por mais que se tente explicar em texto, nem sempre conseguimos detalhar o que são elas. E essas coisas validam uma prova independentemente do resultado.
Fiz domingo meu primeiro triatlo em água aberta. A estréia denuncia minha panguice. Quanto mais panga se é, mais se acha que tem coisa pra contar. E coisa pra contar em triatlo, entenda-se, é coisa relacionada a dificuldades. Vc nunca, ou dificilmente, verá um triatleta descrevendo para outro sobre como foi fácil tal prova. Fácil não tem a menor graça. Se foi fácil, aliás, esquece: fica quietinho, porque você não tem nada pra contar. 
Quando se é panga, no entanto, tudo é difícil. Mas... nada desse tudo surpreende ninguém. :D
Pensemos no treinador. A gente compete também para dar respostas a ele. Afinal, se planilha fosse só aquele festival de A1, A2, A3, A4, todo mundo usava programa de computador pra fazer. Não precisaria de alguém te treinando. Mas há uma pessoa ali, apostando algo em vc. Então, você em alguma medida quer surpreendê-lo, quer contar algo significativo depois da prova. Mas sendo ele um triatleta experiente, fica difícil. Não adianta dizer que levou uma pesada na cara e nadou com um olho só durante a natação inteira. Não adianta dizer que o homem da faca te pegou na primeira volta do ciclismo e que vc mandava as pernas girarem e elas ignoravam solenemente. Não adianta dizer que no primeiro retorno da corrida sentiu algo estranho na nádega esquerda (ops, "algo estranho na nádega esquerda", Loraine? explica isso melhor...). Não adianta, ele não vai se surpreender, porque já sentiu coisas muito mais intensas e variadas do que seu pobre repertório panga de primeira viagem. 
Meu treinador até tenta, paciente que é, voltar no tempo e se identificar com o que tô dizendo, se colocar no meu lugar. Me ouve. Fica sério, atento. Mas eu noto que no fundo ele não achou nada demais no relato de minhas "dificuldades". Aliás, depois que passa, nem eu mesma acho. Troço estranho esse, mas eu realmente esqueço do que parecia ser o maior desconforto do mundo. Daí sou obrigada a ouvir do treinador no outro dia: "ah, então tu não deu tudo de ti". 
Caramba...
Uma queda na transição bike/corrida, por exemplo. Eu vou ter que caprichar muito na minha (DEUSOLIVRE, TOC-TOC-TOC NA MADEIRA; esse trecho do post é apenas uma licença prosística, mas enfim...)... Vou ter de caprichar muito numa queda dessas para impressionar meu treinador. Porque na última prova ele levou um tombo ES-PE-TA-CU-LAR. Então, levantou-se e continuou correndo. Corte no pé e sei lá mais onde, meia nádega de fora por causa do rasgo na queda, todo errado, mas firme na passada. Não contente em continuar a prova todo estoporado, venceu. É. Venceu!
Não disse? É difícil a minha vida de panga... 
Mas é verdade também que eu consegui impressionar o meu treinador. Num sonho. 
Duas noites antes da prova (porque na noite anterior  à prova eu não ia conseguir dormir mesmo, então meu sonho se antecipou), sonhei que tinha ido pra competição sem... a sapatilha? Não. Sonhei que tinha esquecido o tênis? Não. Sonhei que não achava a bike na transição? Não. Sonhei que tinha furado o pneu? Não.
Eu sonhei que tinha esquecido de levar a bike pra prova.
Nessa hora, no sonho, eu consegui surpreender meu treinador e todo mundo. 


obs.: eu não acho que eu seja triatleta. Treinar as 3 modalidades e experimentar duas provas não me fazem uma triatleta. E isso não é falsa modéstia. Sou meio louquinha e tenho realmente dificuldades para afirmar coisas a meu respeito. É como se, ao anunciar uma certeza, ela em seguida estourasse no ar como bolha de sabão. Mas isso é tema pra outro post. Mas sim eu queria ser uma triatleta um dia. Sonho de panga.

Bem juntinhas

Bem juntinhas
eu e a Búio