E, nesses dias de ócio (criativo, pensativo, contemplativo, preguiçoso mesmo, inútil, útil, visionário, ilusionário, solitário...), algumas descobertas, alegrias, pequenos prazeres...
> A Lua Cheia na noite do réveillon foi ou não foi o melhor da virada? Um presente dos céus, literalmente. Blue Moon, a 13ª lua cheia do ano, acontece nessa época a cada duas décadas... e ela encheu completamente às 13h13min do dia 31 (13-13-31), para chegar à noite daquele jeito que foi: absoluta no céu. Ouvi ou li algumas coisas a respeito. O fato é que amei o presente. Lindo demais. Grande demais. Luminoso demais. Parecia que alguém segurava um canhão de luz gigantesco, brincando com os habitantes da Terra.
Aliás... no exato momento em que sua taça tocou em outra, no brinde, vc pensou no quê? Eu me surpreendi com o que, espontaneamente, pensei.
> Avatar tem lá seus momentos-Titanic, acho até que rola uma Céline Dion se esganiçando no final, mas é um baita filme. E eu me convenço disso na medida em que os dias passam, e já passaram vários, e me distancio dele. Insights vão surgindo.
Não lembro de ter visto algo parecido em termos de visual. Assiste em 3D. É demais. Não concordo com quem vê nele apenas um discurso esquerdista, de os fortes oprimindo os fracos e blá, blá, blá. O melhor de um filme dificilmente está na superfície, na história aparente. E, puxa vida, Avatar está cheio de simbolismos, cheio de detalhes. Eu escolhi os meus. Os clichês de um filme dependem muito do repertório de quem assiste. Se você só viu clichê, talvez não seja apenas "culpa" do James Cameron.
Aliás... como pode todo aquele visual ter saído da mente de um cara?
> Me esforcei, tentei ser o mais isenta possível, na medida do impossível!!, mas... na contramão do que li ou ouvi comentarem, não vi NADA de extraordinário em 500 Dias com Ela. Ok, tem uma embalagem bonitinha, edição moderninha, tiradas engraçadas, e só.
O cinema não está aí para repetir na tela o que a gente já sabe, faz e, vá-lá, aceita. Não quero que um filme justifique a condição limitada de ser dos humanos. E esse parece justificar. Se você sai da sessão pensando "bem, a vida é isso aí", então tenha certeza de que o filme, como filme, como arte, não valeu. Arte não pode refletir a normalidade, a média, porque a normalidade e a média puxam para baixo - ou no mínimo nos faz estacionar. Não pode explicar tudo. Tem de deixar na dúvida. Qualquer forma de arte tem dizer de algum modo: "ei, babaca, você pode ser melhor do que isso, por que não tenta?".
Aliás, o filme me lembrou muito Ensaios de Amor, de Alain de Botton, alguém leu? E o livro é de 1993!!
*
Deixa eu ver o que mais... ah sim!
> Correr à noite. Já disse aqui que correr é a segunda coisa que eu mais gosto de fazer na vida?
> Fim de tarde no Pimenta Rosa, ali no Jangadeiros, e o Guaíba logo ali.
> O quiche do MercoPan, aqui, no início da Ijuí. Isso se você resistir aos doces uruguaios...
> Pão-frescura no Carina Barlett, ali na Vasco com a João Telles, num prédio bacana. Porque pode vir com a lasanha que for, pode ser o spaghetti do papa... no reino das massas, eu gosto mesmo é de pão. E eu tô falando até de cacetinho com chimia de uva.
> Banho de madrugada.
> Vinho branco gelado.
> Cerejas in natura (em promoção no Zaffari! ou terá sido no Nacional?).
> Banho de chuva.
> Paçoquinha.
> Dirigir ouvindo música.
> Gente bacana que conheci em função do trabalho.
> O Cemma.
> Café preto feito na hora, pra acordar da soneca depois do almoço. Com muuuuuito açúcar mascavo.
Hmm. acho que é isso...
Missão à vista? Desarmar. Me acomodar na platéia e assistir no que tudo vai dar.
06 janeiro 2010
05 janeiro 2010
Ângulos
Sempre que eu vejo uma foto bacana, e eu adoro fotos, sempre que eu vejo uma, o primeiro pensamento que tenho é o de entender onde estava o fotógrafo. A posição escolhida por ele, ao acaso ou não, foi fundamental para o resultado.
E aí que esses tempos me dei conta de que isso não vale apenas para as imagens clicadas por aí. Vale para os atos, as ações das pessoas. A partir deles, você consegue perceber, ou ter alguma pista, de onde estava, em qual posição, em qual mundo, em qual nível, em qual vibração estava aquela pessoa autora daquela ação ou reação.
Claro, não funciona com todo mundo... Não vamos perceber isso naquelas pessoas que não nos interessam, para as quais nossa atenção não está voltada (ainda que elas estejam nos dando essa informação).
Acho que a percepção também ocorre com quem age. Revelamos a nós mesmos onde estávamos, ou a que vibração estávamos presos, quando agimos/reagimos desse ou daquele modo. Claro, isso tudo se você tiver um mínimo de sensibilidade e se achar que refletir sobre o que faz é uma necessidade.
Daí dá para parar e olhar um "álbum": que "fotos" tenho acumulado? Que cenas fazem parte da minha vida?
Tem gente que não perde tempo com nada disso, porque acha que a vida é só um amontoado de momentos desconexos, sem consequências... que é isso aí mesmo..., sem paradas para entendimentos ou tentativas de.
Entender o quê? Para quê?
Independentemente do resultado do ato/ação/reação (ou seja, é preciso perceber além das aparências), o lugar que escolhemos e do qual agimos pode nos absolver ou nos condenar. Também revela um pouco do que somos feitos. Por isso, se relaciona, ainda, à nossa capacidade de ganhar, inspirar (ou não) a confiança dos outros. O lugar, a posição escolhida, está ligado à natureza e à grandeza de nossa intenção.
Não?
Ok, cada um com seu jeito de ser.
Só que... acho que dificilmente se fará uma graaande foto se não se levar em conta a vibração, o lugar escolhido para ficar e chamar de "minha vida". (e, se é para continuar as metáforas, dá para dizer que grandes fotógrafos costumam se arriscar em busca "DAQUELA" cena.)
Aliás, não se fará foto alguma. Nunca. (ou até se fará, mas se evitará mostrar, por vergonha ou por desprezo mesmo, desconsideração pelo que passou.)
Tudo bem? Tudo, dá para viver sem fotos. Isso será um problema apenas se você gostar de fotos. E de álbuns.
Ó, mas eu tô falando de fotos de verdade. Aquelas que têm a tua cara. Não vale copiar as cenas de outros, nem se pendurar na cena de outros, tah? Nem comprar cartão-postal. Jogue limpo.
Até porque é fácil reconhecer quando temos uma foto de verdade e quando não temos. Uma dica que li uma vez: olhe os olhos das pessoas que estão na foto. O olhar revela a cena que é verdadeira e a que não é.
Os olhos nunca mentem.
E aí que esses tempos me dei conta de que isso não vale apenas para as imagens clicadas por aí. Vale para os atos, as ações das pessoas. A partir deles, você consegue perceber, ou ter alguma pista, de onde estava, em qual posição, em qual mundo, em qual nível, em qual vibração estava aquela pessoa autora daquela ação ou reação.
Claro, não funciona com todo mundo... Não vamos perceber isso naquelas pessoas que não nos interessam, para as quais nossa atenção não está voltada (ainda que elas estejam nos dando essa informação).
Acho que a percepção também ocorre com quem age. Revelamos a nós mesmos onde estávamos, ou a que vibração estávamos presos, quando agimos/reagimos desse ou daquele modo. Claro, isso tudo se você tiver um mínimo de sensibilidade e se achar que refletir sobre o que faz é uma necessidade.
Daí dá para parar e olhar um "álbum": que "fotos" tenho acumulado? Que cenas fazem parte da minha vida?
Tem gente que não perde tempo com nada disso, porque acha que a vida é só um amontoado de momentos desconexos, sem consequências... que é isso aí mesmo..., sem paradas para entendimentos ou tentativas de.
Entender o quê? Para quê?
Independentemente do resultado do ato/ação/reação (ou seja, é preciso perceber além das aparências), o lugar que escolhemos e do qual agimos pode nos absolver ou nos condenar. Também revela um pouco do que somos feitos. Por isso, se relaciona, ainda, à nossa capacidade de ganhar, inspirar (ou não) a confiança dos outros. O lugar, a posição escolhida, está ligado à natureza e à grandeza de nossa intenção.
Não?
Ok, cada um com seu jeito de ser.
Só que... acho que dificilmente se fará uma graaande foto se não se levar em conta a vibração, o lugar escolhido para ficar e chamar de "minha vida". (e, se é para continuar as metáforas, dá para dizer que grandes fotógrafos costumam se arriscar em busca "DAQUELA" cena.)
Aliás, não se fará foto alguma. Nunca. (ou até se fará, mas se evitará mostrar, por vergonha ou por desprezo mesmo, desconsideração pelo que passou.)
Tudo bem? Tudo, dá para viver sem fotos. Isso será um problema apenas se você gostar de fotos. E de álbuns.
Ó, mas eu tô falando de fotos de verdade. Aquelas que têm a tua cara. Não vale copiar as cenas de outros, nem se pendurar na cena de outros, tah? Nem comprar cartão-postal. Jogue limpo.
Até porque é fácil reconhecer quando temos uma foto de verdade e quando não temos. Uma dica que li uma vez: olhe os olhos das pessoas que estão na foto. O olhar revela a cena que é verdadeira e a que não é.
Os olhos nunca mentem.
01 janeiro 2010
20 dezembro 2009
Numerologia
Por q diabos confundo o 4 com o 7 e o 7 com o 4? Tenho um amigo que jura que isso tem a ver com o grafismo dos dois números. Que o meu cérebro sei lá o que... Hein?! Onde o 4 e o 7 se parecem? Ele jura que enxerga uma similaridade. Doido.
Minha explicação é outra. Muito melhor. Muito mais doida. Muito mais minha. Tomara que vc não entenda, porque o objetivo é bem esse.
Me dei conta de que por muito tempo fui 4 na vida. À primeira vista, ainda hoje, você olha e diz: uma pessoa 4, essa Loraine. Mas a ânsia pelo 7 sempre existiu. Nas entranhas, eu sou 7. E quem, por curiosidade, amizade ou amor, presta atenção em mim reconhece esse 7 latejante.
Hoje já consigo ser às vezes 4, às vezes 7 com alguma naturalidade. Acho que nunca vou deixar de ser 4, por isso estou aprendendo a conviver com ele.
Mas o 4 já entendeu que, ainda que lhe seja grata por muitas coisas, é o 7 que quero ser. Mas me comprometi a não abandoná-lo por completo. Manteremos uma saudável convivência, enquanto o 7 cresce e amadurece em mim. E, nos momentos em que essa confusão de 4 e 7 virar tudo de pernas para o ar, eu vou descansar sendo 9. Adoro o número 9. Ele me conforta, me acalma, é onde recarrego as baterias.
Minha explicação é outra. Muito melhor. Muito mais doida. Muito mais minha. Tomara que vc não entenda, porque o objetivo é bem esse.
Me dei conta de que por muito tempo fui 4 na vida. À primeira vista, ainda hoje, você olha e diz: uma pessoa 4, essa Loraine. Mas a ânsia pelo 7 sempre existiu. Nas entranhas, eu sou 7. E quem, por curiosidade, amizade ou amor, presta atenção em mim reconhece esse 7 latejante.
Hoje já consigo ser às vezes 4, às vezes 7 com alguma naturalidade. Acho que nunca vou deixar de ser 4, por isso estou aprendendo a conviver com ele.
Mas o 4 já entendeu que, ainda que lhe seja grata por muitas coisas, é o 7 que quero ser. Mas me comprometi a não abandoná-lo por completo. Manteremos uma saudável convivência, enquanto o 7 cresce e amadurece em mim. E, nos momentos em que essa confusão de 4 e 7 virar tudo de pernas para o ar, eu vou descansar sendo 9. Adoro o número 9. Ele me conforta, me acalma, é onde recarrego as baterias.
4 7 9
03 dezembro 2009
Entre a palavra e o coração
Tem acontecido uma coisa estranha comigo na hora de escrever com caneta. UMA coisa não. TUDO é estranho: o modo como pego a caneta, a mão encostada no papel, a dificuldade da caligrafia e, fundamentalmente, a lentidão dos dedos, do gesto.
Tudo culpa do computador, do teclado. Escrever com a mão virou uma ação desconfortável, que exige empenho para um resultado minimamente legível. Mas o que incomoda mesmo é a lentidão. De tal forma que erro as palavras. Como minha mente está agora adaptada à rapidez da digitação do teclado, acontece de eu pular sílabas. Enquanto o indicador e o polegar desenham o "sí" no papel, minha mente já está no "bas", então, quando eles acabam o sí, recebem logo o "bas", porque o "la" já foi não sei pra onde. Então, por exemplo, sílabas vira síbas.
Teríamos todos de evoluir nossa motricidade fina a fim de voltar a escrever no papel em ritmo ajustado ao da mente? Ou tentar o papel é segurar a velocidade da mente e retroceder nossa evolução? Não sei. O fato é que acho meus dedos lentos com a caneta e o papel. E tenho certeza de que não é só eu.
Lembro da primeira vez que segurei um mouse e da dificuldade que tive para ajustar meus movimentos ao nível de sensibilidade desse instrumentinho. Acertar o cursor no ponto exato do que eu queria na tela não foi uma coisa fácil, natural. Foi uma coisa aprendida. Que gozado, neh? Agora, nem mouse uso.
Similar a essa estranha sensação de que escrever à mão virou algo superado, é a impressão de que também não lemos mais do mesmo jeito. Outra vez culpa do computador. Das múltiplas janelas, do hipertexto, do alt+tab. Experimenta: teu olho mudou. Está livre. Abre uma revista, um jornal... Abriu? Testa.
Teu olho salta daqui pra lá, de lá pra cá. Tu lê o último parágrafo do texto, vai pro primeiro, volta pro do meio e... (surpresa!).. entendeu o texto! Não lemos, ou não precisamos mais ler, nem na ordem, nem da esquerda para a direita. Aliás, se tentarmos isso, se instala uma curiosa sensação de aprisionamento, de que estamos "perdendo" algo naquela página mesmo.
Isso vem mudando a diagramação/layout de publicações há algum tempo. Mas está fazendo mais. Está promovendo uma pequena revolução no modo de escrever, na estrutura do texto ou daquilo que queremos comunicar - que deverá ter alguma lógica dentro ou próxima do seguinte: a parte deve conter o todo. Qualquer parte é início, meio e fim de uma mensagem.
Leituras altamente dinâmicas. Consumo de informação de uma forma absurdamente rápida, mas - olha que gozado - com mais economia. Estamos econômicos na absorção das coisas. Qualquer semelhança com o twitter e seu estrondoso sucesso talvez não seja mera coincidência.
Que gozado. Impressões minhas, neh... a ver, a ver...
Para onde vamos?
... e aí que na Rolling Stone de novembro, lá na última frase de uma materinha pequena, o Marcelo Camelo falou o seguinte sobre a Mallu Magalhães (em relação ao impacto que ela teve sobre a carreira dele):
"Foi a naturalidade dela. Nem todo mundo acha o caminho entre a palavra e o coração".
Bonito, neh? Valeu a compra da revista.
Se eu quero ser Mallu? Ser capaz de achar o tal caminho? Ah, quero sim. É um desafio que me interessa, a despeito da sozinhez ou da solidão dessa aventura. Mas, pensando bem, acho que quero ser Marcelo. Pelo grau de percepcão. Ter olhos, ouvidos e pele pra perceber isso. E confiar no que sacou.
Sabe a diferença entre a sozinhez e a solidão?
Winnicott que fala sobre isso, me disseram. Mas acho que todo mundo sabe isso, não precisa de uma fonte oficial e respeitada como o sr Winnicott. É orgânico. Tudo que é orgânico é uma verdade que reconhecemos, e não é "descoberta", como que de surpresa.
A verdade que vc vai reconhecer como tal é a seguinte:
Solidão é quando estamos nos sentindo irremediavelmente sós mesmo quando acompanhados. E a sozinhez é quando nos sentimos confortavelmente acompanhados mesmo quando estamos sós. Quando estamos a sós conosco e nós somos a nossa companhia e podemos ser uma boa companhia, isso é sozinhez. É o lado bom de estar sozinho, ao passo que a solidão é o lado ruim, mas que pode ser experimentada mesmo quando se está acompanhado de outras pessoas.
Daqui a pouco vem um texto inteiro, com mais sentido. Eu acho. Puxei a cordinha e desci do trem de novo. Pra organizar a mochila. Esticar as pernas. Pegar um sol.
Em seguida, te ligo e vou pular o "alô, tudo bem?". Vou direto no: "para onde vamos?". Tah?
Falando em Mallu, Shine Yellow é bonitinha. Ouvi por acaso aqui, ó.
Tudo culpa do computador, do teclado. Escrever com a mão virou uma ação desconfortável, que exige empenho para um resultado minimamente legível. Mas o que incomoda mesmo é a lentidão. De tal forma que erro as palavras. Como minha mente está agora adaptada à rapidez da digitação do teclado, acontece de eu pular sílabas. Enquanto o indicador e o polegar desenham o "sí" no papel, minha mente já está no "bas", então, quando eles acabam o sí, recebem logo o "bas", porque o "la" já foi não sei pra onde. Então, por exemplo, sílabas vira síbas.
Teríamos todos de evoluir nossa motricidade fina a fim de voltar a escrever no papel em ritmo ajustado ao da mente? Ou tentar o papel é segurar a velocidade da mente e retroceder nossa evolução? Não sei. O fato é que acho meus dedos lentos com a caneta e o papel. E tenho certeza de que não é só eu.
Lembro da primeira vez que segurei um mouse e da dificuldade que tive para ajustar meus movimentos ao nível de sensibilidade desse instrumentinho. Acertar o cursor no ponto exato do que eu queria na tela não foi uma coisa fácil, natural. Foi uma coisa aprendida. Que gozado, neh? Agora, nem mouse uso.
Similar a essa estranha sensação de que escrever à mão virou algo superado, é a impressão de que também não lemos mais do mesmo jeito. Outra vez culpa do computador. Das múltiplas janelas, do hipertexto, do alt+tab. Experimenta: teu olho mudou. Está livre. Abre uma revista, um jornal... Abriu? Testa.
Teu olho salta daqui pra lá, de lá pra cá. Tu lê o último parágrafo do texto, vai pro primeiro, volta pro do meio e... (surpresa!).. entendeu o texto! Não lemos, ou não precisamos mais ler, nem na ordem, nem da esquerda para a direita. Aliás, se tentarmos isso, se instala uma curiosa sensação de aprisionamento, de que estamos "perdendo" algo naquela página mesmo.
Isso vem mudando a diagramação/layout de publicações há algum tempo. Mas está fazendo mais. Está promovendo uma pequena revolução no modo de escrever, na estrutura do texto ou daquilo que queremos comunicar - que deverá ter alguma lógica dentro ou próxima do seguinte: a parte deve conter o todo. Qualquer parte é início, meio e fim de uma mensagem.
Leituras altamente dinâmicas. Consumo de informação de uma forma absurdamente rápida, mas - olha que gozado - com mais economia. Estamos econômicos na absorção das coisas. Qualquer semelhança com o twitter e seu estrondoso sucesso talvez não seja mera coincidência.
Que gozado. Impressões minhas, neh... a ver, a ver...
Para onde vamos?
... e aí que na Rolling Stone de novembro, lá na última frase de uma materinha pequena, o Marcelo Camelo falou o seguinte sobre a Mallu Magalhães (em relação ao impacto que ela teve sobre a carreira dele):
"Foi a naturalidade dela. Nem todo mundo acha o caminho entre a palavra e o coração".
Bonito, neh? Valeu a compra da revista.
Se eu quero ser Mallu? Ser capaz de achar o tal caminho? Ah, quero sim. É um desafio que me interessa, a despeito da sozinhez ou da solidão dessa aventura. Mas, pensando bem, acho que quero ser Marcelo. Pelo grau de percepcão. Ter olhos, ouvidos e pele pra perceber isso. E confiar no que sacou.
Sabe a diferença entre a sozinhez e a solidão?
Winnicott que fala sobre isso, me disseram. Mas acho que todo mundo sabe isso, não precisa de uma fonte oficial e respeitada como o sr Winnicott. É orgânico. Tudo que é orgânico é uma verdade que reconhecemos, e não é "descoberta", como que de surpresa.
A verdade que vc vai reconhecer como tal é a seguinte:
Solidão é quando estamos nos sentindo irremediavelmente sós mesmo quando acompanhados. E a sozinhez é quando nos sentimos confortavelmente acompanhados mesmo quando estamos sós. Quando estamos a sós conosco e nós somos a nossa companhia e podemos ser uma boa companhia, isso é sozinhez. É o lado bom de estar sozinho, ao passo que a solidão é o lado ruim, mas que pode ser experimentada mesmo quando se está acompanhado de outras pessoas.
Daqui a pouco vem um texto inteiro, com mais sentido. Eu acho. Puxei a cordinha e desci do trem de novo. Pra organizar a mochila. Esticar as pernas. Pegar um sol.
Em seguida, te ligo e vou pular o "alô, tudo bem?". Vou direto no: "para onde vamos?". Tah?
Falando em Mallu, Shine Yellow é bonitinha. Ouvi por acaso aqui, ó.
Assinar:
Postagens (Atom)
Bem juntinhas
eu e a Búio
