Na primeira vez que assisti a esse vídeo, eu me emocionei. Mas foi só na primeira vez ;)
08 abril 2010
22 março 2010
O erro ensina
... o modo como o cérebro científico lida com o imprevisto dá surpreendentes pistas da própria relação do ser humano com tudo aquilo que parece dar errado.
... O cérebro faz um truque para que nossa ideia anterior permaneça intacta. Em resumo: nossa mente não gosta de estar errada.
... Acho que a razão pela qual não aceitamos informações que desafiam nosso modelo já construído é porque somos inerentemente conservadores.
... Se algo merece o título de erro, é nossa incapacidade de abraçá-lo como um bom e peculiar amigo.
... Parte do que nos faz uma espécie interessante é a capacidade de ignorar muito do que está acontecendo ao redor para nos concentrarmos em objetivos e sonhos.
Bom, neh?
Tem mais aqui.
Fiquei pensando se o título do post não deveria ser "o erro salva".
Mas o certo é que, dando uma olhada mais geral nesta edição da revista Trip, me convenci: quero uma pra mim.
... O cérebro faz um truque para que nossa ideia anterior permaneça intacta. Em resumo: nossa mente não gosta de estar errada.
... Acho que a razão pela qual não aceitamos informações que desafiam nosso modelo já construído é porque somos inerentemente conservadores.
... Se algo merece o título de erro, é nossa incapacidade de abraçá-lo como um bom e peculiar amigo.
... Parte do que nos faz uma espécie interessante é a capacidade de ignorar muito do que está acontecendo ao redor para nos concentrarmos em objetivos e sonhos.
Bom, neh?
Tem mais aqui.
Fiquei pensando se o título do post não deveria ser "o erro salva".
Mas o certo é que, dando uma olhada mais geral nesta edição da revista Trip, me convenci: quero uma pra mim.
16 março 2010
Salada de fruta

Ainda vou limpar e guardar as sementes de melão. Haverá algo a se fazer com elas. São tão sonoras! Que nem quando guardei as folhas em forma de balão que protegem a physalis, uma frutinha especial (qual fruta não é?) com cara de butiá, mas gosto muito próprio (quase nenhum; olha, acho até que prefiro butiá). É verdade que até agora ainda não sei o que fazer com elas, as folhas, mas eu sei que uma hora uma ideia pinta. São tão... diferentes. Delicadas.
E o gosto do pepino (não aquele de conserva) lembra (muito) a melancia, não lembra? Fica um lastro de melancia na boca, não fica? Traços de melancia. Mas se bem que rastro de melancia na boca não é muito legal, gosto estranho (bafinho quase inofensivo mas ainda sim bafo). E como se escolhe melancia? Ainda bem que eles cortam em pedaços no súper, e a gente pode olhar qual está mais vermelhinho. Eu escolho pelo valor, mas não se é caro ou barato, e sim pela combinação dos números do valor. Ah, mas eu não tenho o que fazer, neh?
Mamão Papaya ou Formosa? Os dois neh? Mas textura do Formosa é um prazer a mais. Papaya é molenga. Coisa vomitada, e se duvidar fica cheiro de vomito de nenê tb. Mas aquela gosminha que envolve a semente é mais gostosa. Textura também é importante na maçã. Mil vezes as durinhas (Fugi) do que aquelas de raspinha de nenê (Gala). Mas boa mesmo são as verdes. Beeemm azedinhas. Gosto de coisas azedinhas. Que põem a dúvida: e aí, vai me morder de novo ou não? E tu vai lá e morde de novo! Que nem abacaxi fora do ponto. É ruim mas é bom!
E todo mundo faz aquele oba-oba pra uva dedo-de-dama. Pura fachada. Uva dedo-de-dama é legal para decoração, pra olhar. Não tem gosto e é ruim de morder. Tem um sementão sem que nem pra quê. Aí, você rouba uma no súper e fica com aquele sementão na boca, sem saber onde pôr. Das pêras, como até a semente. Tão discretinhas ali, quase nenhuma. Como tudo. Fica só o talo. De certo, buscando sabor. Que não encontro muito... afinal, alguém já disse: pêra é o chuchu das frutas...
E quem vem a ser o chuchu? O quarto estado da água, neh?! Coitado. Injustiça. Não é tanto assim. Eu acho que o problema do chuchu é o visual... aquela cor... blasé demais... nude (hahaha)... calcinha bege, sabe?... não tem atitude. Aí, as pessoas tripudiam dele. Vê se alguém fala mal da beterraba, naquela exuberância toda? Ou mesmo do pepino, que queria ser melancia e ficou pela metade do caminho?!
E as bananas? Salvadoras!!! Fruta que mata a fome taí. Preciso provar a banana comprida, coisa do norte do Brasil. Ela é bem grande e precisa ser cozida. Dá para comer com manteiga, como essa aí da foto.
Como se vê, gosto de frutas. Uma vez, ganhei uma cesta de maçãs de amigo-secreto. E adorei! Quando ele chegou com a cesta, todos sabiam quem ele tinha tirado. Eu!! Mas eu gosto de todas, qualquer uma. Mas o que se vê nesta postagem mesmo é que, realmente, eu não tenho o que fazer!! Sei lá a utilidade desse texto. E precisa ter?
Bom, acho que vou ao súper.
18 janeiro 2010
O miolo da fome
Pensei em fazer um blog com trechos de músicas. Um trecho ou dois de cada música. Ou uma canção inteira. O que viesse na telha aquele dia, aquela hora. As postagens seriam isso. Só isso. Com link para ouvir a música, claro.
Por quê? Porque no momento certo, na hora certa + a música certa, quando isso acontece, se tem certeza de que nada mais precisa ser dito: as músicas já disseram tudo. Aliás, esse seria o nome do blog:
Por quê? Porque no momento certo, na hora certa + a música certa, quando isso acontece, se tem certeza de que nada mais precisa ser dito: as músicas já disseram tudo. Aliás, esse seria o nome do blog:
"Porque as músicas já disseram tudo".
Que acha? Não tenho certeza de que o blog é a ferramenta/a plataforma ideal... Se bem que...
1) Olha só, seguido me perguntam qual a câmera fotográfica melhor, qual a filmadora ideal, blá, blá, blá... não sei por que me perguntam isso. O curso de comunicação não é técnico! Eu me formei em jornalismo, não em técnico em equipamentos/ferramentas... mas ok. Me perguntam isso e me ocorre responder uma coisa que ouvi no triatlo: não importa muito (ou tanto) a bicicleta que vc tem, importa quem tá em cima, as pernas de quem tá em cima da bike. Tah, eu sei que não é beeeem assim, mas existe uma verdade nisso.
Então: não importa a câmera. Importa o que vc vai fazer com ela. Importa a ideia. Não? Vc quer que os outros admirem a tua máquina ou o que vc faz com ela? Tem gente que prefere a primeira opção.
2) Eu não tenho medo de ficar sozinha. Do que chamam de solidão. Quer dizer, tenho, mas meu medo maior, meu desconforto maior é provocado pelo vazio. Entre a solidão e o vazio, prefiro ficar sozinha. Prefiro a sozinhez à companhia vazia, feita de aparências, de interesses. Prefiro a independência a ter de fazer de conta.
Mas só conhece o vazio quem já experimentou o cheio. Quem experimentou o cheio, nunca mais tolera o vazio. Nunca mais permite o vazio. E luta, luta, luta pra evitá-lo, nem que para isso fique, aos olhos dos outros, sozinho. O vazio é pior do que estar sozinho - mas essa é só a minha opinião. (Não, não é só a minha opinião. É o que eu sinto - embora ao olhar em volta, os outros, algumas coisas que vejo me confundam.)
Porque vazio é fome. Aparências, status, fazer escolhas priorizando essas agradáveis mas evaporantes sensações, é como comer papel. Tomar sopa de papelão. É coisa de mendigo. Engana a fome e não alimenta de fato.
3) Há várias frases na parede do meu quarto. Acho que só vou apagá-las, ou seja, pintar a parede outra vez de branco, quando eu assimilar todas. Entender, eu entendo todas, mas captar a essência delas, ir des-cobrindo (de "tirar a coberta") o sentido delas, é um processo mais lento. Já "des-cobri" quase todas. Uma das últimas sobre a qual a ficha caiu foi essa:
"Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você".
1+2+3= o que vale é o miolo da coisa, a essência.
Podemos (con)viver com a ideia de que aquele grande e ultramoderno equipamento nos garante as melhores cenas (1), ou que tal conforto, comodidade e conveniência, em relacionamento profissional ou afetivo, é a vida sendo aproveitada (2). A gente pode se empolgar com um equipamento bacana e com uma aventura nova, envolvente, cheia de vantagens e prazeres voláteis. Pode-se acreditar nisso tudo.
Só que um dia pode acontecer de a gente ver alguém fazer uma foto do caralho com uma latinha de nescau, usando o processo mais básico e tosco da história da fotografia (tah.. exagerei...heheh). Ou o dia em que a gente experimenta um relacionamento profissional ou afetivo que realmente alimenta, sintoniza, linka - daí lembrei do filme Avatar, em que os gigantes azuis comandam seus voos, e só conseguem voar, ao "conectarem" seus cabelos aos dragões (como uma entrada USB). Quem não quer voar? (agora, eu não exagerei)
Quando se experimenta o cheio, consegue ver o que era vazio. Quando experimentamos comida, a sopa de papelão vira o que é: nada. E não queremos voltar pra ela. (3) Quando a gente enxerga (finalmente) o falso, consegue reconhecer a verdade. E não esquece mais.
E o que isso tem a ver com o blog de músicas? Sei lá. Acho que a música certa na hora certa mata a fome da gente. E faz a gente ter certeza de que a sozinhez é melhor do que passar fome no emprego famoso ou na companhia oca de tantos.
***
Falando em relacionamento profissional significativo, andei fazendo uma série de entrevistas com uma psicóloga por causa de um trabalho frila. Um dos últimos temas foi coragem.
Neste link, reproduzo um pouco do que conversamos. Vai olhando as perguntas, talvez alguma te interesse. Tenho um enorme respeito pelas respostas. Leio tudo com especial atenção, e não fico com fome no final.
E, pra finalizar essa postagem... uma música!
Ouvi na rádio hoje, quando voltava do treino. Ela entraria certo no blog das músicas - talvez, fosse ótima pra começar o blog. Essa aqui.
***
Te convenci? Matei tua fome?
Nem a mim mesma meus textos convencem 100%, e olha que me puxo pra chegar lá.
Mas ok, vai ver é melhor assim: quando eles deixam frestas, atalhos para outro lugar, outro texto.
Não quero te convencer. Não é bom que eu queira.
Escrevo por necessidade. Só.
Convencer seria por vaidade.
1) Olha só, seguido me perguntam qual a câmera fotográfica melhor, qual a filmadora ideal, blá, blá, blá... não sei por que me perguntam isso. O curso de comunicação não é técnico! Eu me formei em jornalismo, não em técnico em equipamentos/ferramentas... mas ok. Me perguntam isso e me ocorre responder uma coisa que ouvi no triatlo: não importa muito (ou tanto) a bicicleta que vc tem, importa quem tá em cima, as pernas de quem tá em cima da bike. Tah, eu sei que não é beeeem assim, mas existe uma verdade nisso.
Então: não importa a câmera. Importa o que vc vai fazer com ela. Importa a ideia. Não? Vc quer que os outros admirem a tua máquina ou o que vc faz com ela? Tem gente que prefere a primeira opção.
2) Eu não tenho medo de ficar sozinha. Do que chamam de solidão. Quer dizer, tenho, mas meu medo maior, meu desconforto maior é provocado pelo vazio. Entre a solidão e o vazio, prefiro ficar sozinha. Prefiro a sozinhez à companhia vazia, feita de aparências, de interesses. Prefiro a independência a ter de fazer de conta.
Mas só conhece o vazio quem já experimentou o cheio. Quem experimentou o cheio, nunca mais tolera o vazio. Nunca mais permite o vazio. E luta, luta, luta pra evitá-lo, nem que para isso fique, aos olhos dos outros, sozinho. O vazio é pior do que estar sozinho - mas essa é só a minha opinião. (Não, não é só a minha opinião. É o que eu sinto - embora ao olhar em volta, os outros, algumas coisas que vejo me confundam.)
Porque vazio é fome. Aparências, status, fazer escolhas priorizando essas agradáveis mas evaporantes sensações, é como comer papel. Tomar sopa de papelão. É coisa de mendigo. Engana a fome e não alimenta de fato.
3) Há várias frases na parede do meu quarto. Acho que só vou apagá-las, ou seja, pintar a parede outra vez de branco, quando eu assimilar todas. Entender, eu entendo todas, mas captar a essência delas, ir des-cobrindo (de "tirar a coberta") o sentido delas, é um processo mais lento. Já "des-cobri" quase todas. Uma das últimas sobre a qual a ficha caiu foi essa:
"Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você".
1+2+3= o que vale é o miolo da coisa, a essência.
Podemos (con)viver com a ideia de que aquele grande e ultramoderno equipamento nos garante as melhores cenas (1), ou que tal conforto, comodidade e conveniência, em relacionamento profissional ou afetivo, é a vida sendo aproveitada (2). A gente pode se empolgar com um equipamento bacana e com uma aventura nova, envolvente, cheia de vantagens e prazeres voláteis. Pode-se acreditar nisso tudo.
Só que um dia pode acontecer de a gente ver alguém fazer uma foto do caralho com uma latinha de nescau, usando o processo mais básico e tosco da história da fotografia (tah.. exagerei...heheh). Ou o dia em que a gente experimenta um relacionamento profissional ou afetivo que realmente alimenta, sintoniza, linka - daí lembrei do filme Avatar, em que os gigantes azuis comandam seus voos, e só conseguem voar, ao "conectarem" seus cabelos aos dragões (como uma entrada USB). Quem não quer voar? (agora, eu não exagerei)
Quando se experimenta o cheio, consegue ver o que era vazio. Quando experimentamos comida, a sopa de papelão vira o que é: nada. E não queremos voltar pra ela. (3) Quando a gente enxerga (finalmente) o falso, consegue reconhecer a verdade. E não esquece mais.
E o que isso tem a ver com o blog de músicas? Sei lá. Acho que a música certa na hora certa mata a fome da gente. E faz a gente ter certeza de que a sozinhez é melhor do que passar fome no emprego famoso ou na companhia oca de tantos.
***
Falando em relacionamento profissional significativo, andei fazendo uma série de entrevistas com uma psicóloga por causa de um trabalho frila. Um dos últimos temas foi coragem.
Neste link, reproduzo um pouco do que conversamos. Vai olhando as perguntas, talvez alguma te interesse. Tenho um enorme respeito pelas respostas. Leio tudo com especial atenção, e não fico com fome no final.
E, pra finalizar essa postagem... uma música!
Ouvi na rádio hoje, quando voltava do treino. Ela entraria certo no blog das músicas - talvez, fosse ótima pra começar o blog. Essa aqui.
***
Te convenci? Matei tua fome?
Nem a mim mesma meus textos convencem 100%, e olha que me puxo pra chegar lá.
Mas ok, vai ver é melhor assim: quando eles deixam frestas, atalhos para outro lugar, outro texto.
Não quero te convencer. Não é bom que eu queira.
Escrevo por necessidade. Só.
Convencer seria por vaidade.
16 janeiro 2010
nadarPeDaLArCORRER
E o triathlon, então.
Gostaria de melhorar natação e ciclismo.
Por quê? Por que gostaria de melhorar? Boa pergunta.
Mas, antes da resposta, o ponto é como me sinto em cada modalidade (ou um pouco de como me sinto). Por que pensar sobre o que sinto? Ora, ora, ora... tentar entender o que sinto é meu esporte preferido. Always.
Porque eu gosto de suar, mas eu adooooooro (a tentativa de) entender as coisas. Suar os miolos, sabe? Penso tanto, querendo entender as coisas, que acho que meu miolo já é um ironman, um (uhu!) Marc Allen ou um Dave Scott.
Aprendi a nadar "velha". 24 anos. E por anos foi apenas um contraponto para os desgastes do trabalho, uma compensação pelas horas sentadas. Sem treinos. Depois, vieram os treinos. Comparando com a corrida, também passei a correr regularmente "velha". Trinta anos. Bicicleta? 31. E, passados dois anos, os longos de pedal ainda são um desafio. Comparando com a corrida, acho que melhorei nessa modalidade quando passei a fazer longos. Hm, seria uma pista aí?
Agora, as sensações. Tem uma que me intriga. Essa: eu corro com o corpo todo. Entende? Pé, pernas, coxas, glúteos, abdomen, tronco, braços. Não sei explicar direito, mas é isso: o corpo todo firma, o corpo todo corre, como uma coisa só. Na natação e no ciclismo, não.
Na natação, sinto meu corpo em partes. E isso piora na medida em que canso. Lá pelas tantas, são dois braços arrastando um corpo inteiro. Tentando. Porque braço também não é meu forte. Em vez disso, eu bato muita perna. Outro erro, dizem. Então, lá pelas tantas fica tudo com elas, as pernas. Enquanto isso, vejo que tem gente q parece deslizar sobre a água, acima dela, de tão fluido o nado... A propósito: o que era o Miyashiro no fast triatlo? Aquilo não é natação, é boxe, é luta, é vale-tudo.
Abrindo parêntese sobre a água aberta... Nela, "perco" as pernas - entende? Na água aberta, não encaixo a pernada. Aquele monte de água anula o que mais me faz sair do lugar... aí, já viu... sinto as pernas "soltas", não sei pra onde vai meu quadril. Alguém me entende??? Fecha parêntese.
No ciclismo, tem gente que pedala tão naturalmente que só de olhar se percebe que não é alguém fazendo força em cima de uma bike. Não é alguém + uma bike, mas sim uma coisa só, de tão sintonizados, integrados. Pessoa e bike viram uno.
Eu senti isso algumas vezes - ou algo que me parece perto dessa coisa que observo nos outros. Na maior parte das vezes, no entanto, principalmente quando canso, são duas pernas tentando levar um corpo todo + uma bike (tenho conseguido recrutar o abdomen mais vezes, mas preciso me concentrar). Ou seja, nem na natação, nem na bike consigo a sensação de unicidade, que me parece mais frequente e natural na corrida.
Por quê?
Respondendo à primeira pergunta: se melhorar significa sentir essa unicidade, essa inteireza nas 3 modalidades, então é esse o motivo pra melhorar. Só por isso. Sensação boa demais.
E, pensando ainda mais amplamente, triathlon não teria de ser uno? Não é natação + bike + corrida. É uma coisa só: nadarpedalarcorrer. Quando teu corpo entende isso e responde nesse nível, bom, aí eu acho que se chegou lá.
Existe lá?
Gostaria de melhorar natação e ciclismo.
Por quê? Por que gostaria de melhorar? Boa pergunta.
Mas, antes da resposta, o ponto é como me sinto em cada modalidade (ou um pouco de como me sinto). Por que pensar sobre o que sinto? Ora, ora, ora... tentar entender o que sinto é meu esporte preferido. Always.
Porque eu gosto de suar, mas eu adooooooro (a tentativa de) entender as coisas. Suar os miolos, sabe? Penso tanto, querendo entender as coisas, que acho que meu miolo já é um ironman, um (uhu!) Marc Allen ou um Dave Scott.
Aprendi a nadar "velha". 24 anos. E por anos foi apenas um contraponto para os desgastes do trabalho, uma compensação pelas horas sentadas. Sem treinos. Depois, vieram os treinos. Comparando com a corrida, também passei a correr regularmente "velha". Trinta anos. Bicicleta? 31. E, passados dois anos, os longos de pedal ainda são um desafio. Comparando com a corrida, acho que melhorei nessa modalidade quando passei a fazer longos. Hm, seria uma pista aí?
Agora, as sensações. Tem uma que me intriga. Essa: eu corro com o corpo todo. Entende? Pé, pernas, coxas, glúteos, abdomen, tronco, braços. Não sei explicar direito, mas é isso: o corpo todo firma, o corpo todo corre, como uma coisa só. Na natação e no ciclismo, não.
Na natação, sinto meu corpo em partes. E isso piora na medida em que canso. Lá pelas tantas, são dois braços arrastando um corpo inteiro. Tentando. Porque braço também não é meu forte. Em vez disso, eu bato muita perna. Outro erro, dizem. Então, lá pelas tantas fica tudo com elas, as pernas. Enquanto isso, vejo que tem gente q parece deslizar sobre a água, acima dela, de tão fluido o nado... A propósito: o que era o Miyashiro no fast triatlo? Aquilo não é natação, é boxe, é luta, é vale-tudo.
Abrindo parêntese sobre a água aberta... Nela, "perco" as pernas - entende? Na água aberta, não encaixo a pernada. Aquele monte de água anula o que mais me faz sair do lugar... aí, já viu... sinto as pernas "soltas", não sei pra onde vai meu quadril. Alguém me entende??? Fecha parêntese.
No ciclismo, tem gente que pedala tão naturalmente que só de olhar se percebe que não é alguém fazendo força em cima de uma bike. Não é alguém + uma bike, mas sim uma coisa só, de tão sintonizados, integrados. Pessoa e bike viram uno.
Eu senti isso algumas vezes - ou algo que me parece perto dessa coisa que observo nos outros. Na maior parte das vezes, no entanto, principalmente quando canso, são duas pernas tentando levar um corpo todo + uma bike (tenho conseguido recrutar o abdomen mais vezes, mas preciso me concentrar). Ou seja, nem na natação, nem na bike consigo a sensação de unicidade, que me parece mais frequente e natural na corrida.
Por quê?
Respondendo à primeira pergunta: se melhorar significa sentir essa unicidade, essa inteireza nas 3 modalidades, então é esse o motivo pra melhorar. Só por isso. Sensação boa demais.
E, pensando ainda mais amplamente, triathlon não teria de ser uno? Não é natação + bike + corrida. É uma coisa só: nadarpedalarcorrer. Quando teu corpo entende isso e responde nesse nível, bom, aí eu acho que se chegou lá.
Existe lá?
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