As pessoas só se desculpam pelo transtorno quando estão em obras, já viu?
"Desculpem pelo transtorno. Estamos em obras para melhor atendê-los."
O cara que inventou essa frase não inventou só uma plaquinha cordial, inventou uma convenção, uma instituição! Devia patenteá-la, cobrar pelo uso.
Que nem camiseta de ciclismo para meninas. Imagino dois manés conversando lááá nos primórdios da coisa (primórdios é bom, né? pri-mór-di-os... q q é isso?!?!?!).
mané 1 - "Meu, a gente precisa fazer umas camisetas femininas, as gurias pedalam, estão por aí..."
mané 2 - "Bah, certo que sim... Mas como podiam ser?"
mané 1 - (pensando)
mané 2 - (fingindo que tá pensando, mas na real tá esperando a solução vir do outro)
mané 1 - "Ah, sei lá, bota umas borboletinhas".
Pimba. O mané 2 seguiu à risca. E até hoje é assim. Camiseta feminina para ciclismo? Borboletinhas nela!
Borboletinhas...
Inhas... Lembrei de uma coisa sobre o triatlo...
Fulano nada direitinho. Fulano pedala direitinho. Fulano corre direitinho...
Seguinte: o triatlo não é esporte para 'tinhos', 'inho', 'inhos'. Não é.
Isso eu já aprendi.
A propósito: comprei uma camiseta com borboletinhas. E eu nado direitinho, pedalo direitinho e corro direitinho.
Bom, depois dessa incrível postagem, só me resta "Desculpem pelo transtorno. Estamos em obras para melhor atendê-los".
13 julho 2008
06 julho 2008
Backup
Não dei muita bola quando fiquei sabendo disso. Mas depois a notícia se repetiu e ficou na minha cabeça. Passei a pensar na dependência que temos dessa coisa, e de como seria se o mesmo acontecesse em proporções continentais, mundiais - como se já não bastasse ser realmente ruim caso ocorresse só no meu bairro!
E na tentativa de imaginar o caos que seria, na tentativa de visualizar esse caos, a lembrança que me veio de primeira é a do caos descrito por Saramago em O Ensaio sobre a Cegueira.
E na tentativa de imaginar o caos que seria, na tentativa de visualizar esse caos, a lembrança que me veio de primeira é a do caos descrito por Saramago em O Ensaio sobre a Cegueira.
04 julho 2008
O triatlo
Eu queria ritmar minha respiração na corrida próximo do que consigo fazer enquanto nado. E quando nado, eu queria girar meus braços como devem girar minhas pernas no pedal. E queria que enquanto pedalasse duro pudesse contar com a ajuda dos braços como quando estou correndo.
Dã.
Eu misturo tudo. E não foco em nada :)
No fundo, o que eu queria é que a minha cabeça não me atrapalhasse.
Dã.
Eu misturo tudo. E não foco em nada :)
No fundo, o que eu queria é que a minha cabeça não me atrapalhasse.
Encontros e desencontros
O que é a vida senão encontros e desencontros? (tá, essa frase é brega demais pra começar um texto, mas dá um crédito aí!)Os que a gente mesmo protagoniza e os que a gente, olha que privilégio, testemunha. Os que a gente protagoniza como se estivéssemos sendo assistidos, igual a Show de Truman. Como se tivesse alguém torcendo, nos acompanhando... Que nos vê como a mocinha, e o outro como o mocinho, e se contorce todo no sofá quando vê que a mocinha entrou por uma porta, e o mocinho saiu pela outra, e eles não se encontraram...
Para testemunhar, não precisa nem ser real. Falo dos encontros e desencontros que a gente tem a oportunidade de criar mentalmente, voluntariamente, sem que tenham ocorrido de fato, no plano físico. É uma novelinha só nossa. Eu tenho uma surgida há pouco, que poderia se chamar O tipógrafo e o piloto. Eles existem juntos só na minha cabeça, porque não se conhecem nem se encontraram por acaso.
O jornalismo me fez encontrar muita gente, muitos jeitos de viver. E, em alguma medida, do casal de namorados na procissão de Navegantes ao presidente da Intel no Brasil (só para citar duas experiências de reportagem bem distintas), todos falaram uma coisa ou outra que me fez questionar o meu jeito de viver. Foi para fazer uma matéria para a Grafia que encontrei esses dias o seu Salomão. O tipógrafo. Tem 78 anos e trabalha na mesma atividade desde os 9 anos, quando ajudava o pai, também dono de gráfica. Te recebe de jaleco manchado de tinta e manguitos protegendo a roupa. No que se refere à impressão, seu Salomão parou no tempo. Parou há 30 anos. Tem máquinas do século passado. Ativas! A tipografia é a mãe da chamada comunicação em massa. Foi Gutemberg que, ao criar os tipos móveis, inventou a impressão em série, a cópia, os livros, tudo enfim. (Para saber mais sobre isso, vou pôr em breve o link da reportagem aqui).
Salomão sabe que parou no tempo. Salomão não é rico. Mas Salomão te recebe com um semblante sereno, algo sorridente, e fala das máquinas, da gaveta de tipos móveis, fala da sua gráfica com um brilho no olho. Eu e meus amigos jornalistas que também participavam da entrevista fizemos perguntas sobre o mercado, sobre sua decisão de não evoluir, renovar... Nossa pergunta se esvaziava. Ele sorria, e nos desarmava. Não se tratava de decisão nenhuma. “Eu apenas fiz na minha vida o que eu sabia fazer”. E gostava de fazer, eu acrescentaria.
Dificilmente encontrarei seu Salomão ou o amigo da minha amiga de novo... Então, vou ter de entrar nessa novelinha pra achar as respostas. Não dá mesmo para ficar a vida toda no sofá assistindo novelinhas, né? (Tomara que tenha alguém torcendo por mim, de seu sofá, igual Show de Truman!!!)
Ontem, 10 anos depois de ler o livro, assisti ao filme Na Natureza Selvagem. O livro é arrasador. Não se trata de concordar com o que o cara (Cris/Alex) fez, mas concordar e se emocionar com o porquê ele fez. Acredito na razão de suas atitudes, por isso o livro foi uma rasteira. Muita gente acredita – até seu Salomão e o amigo da minha amiga, mesmo que não saibam, eu acho.
Isso não significa que vamos todos para o Alaska, viver dentro da natureza selvagem. Mas que todos temos um Alaska íntimo e particular ao qual queremos ou devíamos chegar, ah, isso sim. O cara chegou fisicamente ao Alaska um ano e meio depois de jogar tudo para o alto. Mas já se encontrava lá (de coração e alma) desde o primeiro dia que pôs o pé na estrada. Por isso, encantou todo mundo que encontrou no caminho.
Poucos dias depois de o Cris morrer, caçadores o encontraram no ônibus onde viveu absolutamente sozinho e sem comunicação. Ele tinha tentado voltar, não conseguiu e morreu de inanição. Foi coisa de dias. Encontros e desencontros.
obs.: adorei a cena com a maçã, no filme. Cuida porque é rápida.
15 junho 2008
Pelos poderes de Greyskull
Podem haver outras, mas por enquanto essa é a única para mim.A única coisa boa de se pedalar no frio e contra um vento frio é que, quando se pára, o corpo fica inteira e absurdamente quente. Inteiramente, de forma absurda, da ponta do nariz à ponta do dedão. Enquanto pedalo e sinto frio, só penso nisso, como um cachorro que deita/rola/senta/levanta/busca a bolinha pensando na recompensa. Penso naquele calor todo que me inflama... poucas coisas são capazes de fazer isso de forma tão contrastada com a temperatura que reina fora do corpo.
Acho que deve ser assim que os foguetes se sentem, se pudessem sentir algo.
É como se você tivesse a força.
Sim, a força todos temos. É como se isso fosse a prova.
*Você nunca chegou a achar meio esquisitos os braços do He-Man? Tem bolotinha de músculo demais... E o cabelo? deusdocéu... A sobrancelha prova que ele pintava o cabelo?
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eu e a Búio