Não sei se ficam somente na Protásio Alves, de lá pra cá, de cá pra lá. Mas é sempre ali que os encontro, espalhados pelas paradas de ônibus. São crianças na beirada da adolescência, outros são grandinhos até. Há meninas e meninos. É a turma da bala de goma.
Pedem uma força pro motorista e entram. Ou largam a caixa de bala na mesinha do cobrador e a pegam de volta depois de passar por baixo da roleta ou esmagam as gomas no peito, esgueirando-se, limpando com as costas o chão do corredor. E aí começam a ladainha. O mesmo discurso, as mesmas balas. Todos eles. E todos eles dão uma entonação de rap pro anúncio. Tenta imaginar o som de rap no seguinte texto:
/boa noite/desculpa incomodar sua viagem/mas estou aqui/trabalhando/eu podia estar roubando/e não estou/podia estar pedindo/e não estou/então eu peço um minuto de sua atenção/
(aí, eles já vão pegando as balas de dentro da caixa pra mostrar, combinando texto e ação, como se fosse comissária de bordo dando aquelas informações de emergência em vôo)
/uma é cinquenta centavos/ três é um real
(aí eles vão de fileira em fileira: aceita? aceita? aceita? aceita? ou ... bala de goma? bala de goma? bala de goma?)
Se despedem com um discurso treinado também.
Perguntei pra um deles se havia alguém por trás dessa venda. O guri, um adolescente de boné, moletom surrado e bermuda, com correntes grossas de prata no pescoço, disse que não. Que eles compravam no atacado e vendiam. Quanto por dia, eu perguntei. Sete, oito caixas, ele disse. Quanto dá isso, devolvi. Ele: uns 70, 80 por dia (reais).
Mas é estranho... é sempre a mesma marca de bala, eles falam todos a mesma coisa, como que treinados, e parecem se conhecer. Não me convenci, mas o guri desceu em seguida, e minha entrevista acabou.
70 por dia x 5 dias são 350 por semana x 4 semanas = 1,4 mil por mês. Quanto é o salário mínimo? Será que o guri falou sério?
Não tem restaurante aberto às 17h para almoçar. Entro no supermercado, compro um pote de risoto e outro de brócolis cozido. Não dá tempo de ir pra casa. Tenho mais rua pela frente ainda. Sento no banco interno do súper e começo minha refeição. Comprei um pacote de colher de plástico pra ajudar. Uma só já bastava. As pessoas passam e me olham. Tá, é esquisito. Mas é esquisito o quê? Eu almoçar às 17h? Eu fazer isso no banco? Eu comer de colher? Ou eu estar com comida e não com um pacote de ruffles ou de bolachinha recheada?
Oi. Meus olhos diziam pra os que me miravam.
Os moradores de rua comem na rua, claro. Eles fazem tudo na rua. Morador de rua, eu acho, se apropria mais de sua cidade do que nós, moradores de casa. Eles deitam no gramado do parque, dormem no banco da praça, sacodem as pernas sentados no parapeito do viaduto da Ipiranga. Se apropriam. A cidade é deles, ainda que selvagemente. Não sei, mas os invejo. Tu consegue simplesmente sentar no cordão da calçada enquanto espera o ônibus? Por que q não? Bom, tem gente que não senta nem no chão de sua própria casa. Eu adoro o meu chão.
Os hidrantes deixam as calçadas charmosas. Vermelhos ou roseados. Algumas coisas são padrões curiosos. Que nem casinhas de fazer chave. Por que todas, eu disse TODAS, são azul e amarelo?
Trabalho, trabalho, trabalho na frente desse computador e de tempos em tempos dou um pulo ali no mundo - ou em uma das realidades dele. Acesso os portais de notícia e fico sabendo mais do mesmo de sempre. Grampos é o mais-do-mesmo da vez.
Será que a grampolândia chegou ao msn? Olha, deve ser questão de tempo.
Setembro não termina nunca e acabou de começar de novo. Venta ventania. Depois, em outubro, o roxo dos jacarandás da praça da alfândega pinta as calçadas de toda a cidade. Voa de lá, do Centro. Claro. Se anelassem o cabinho das flores como fazem com as patinhas de aves em extinção q estão sendo estudadas, você comprovaria.
Já escrevi sobre o roxo das calçadas em outubro láááá atrás neste bLOg. Também já escrevi um post chamado "Zanzando". Ando me repetindo. Chato. Dizem que, depois de um tempo, não aprendemos mais nada, nem fazemos novos amigos. Nos repetimos nisso também. Será? Ai, tomara que não. Aprender e pertencer me são os verbos/ações/condições mais valorosas (também já escrevi isso nesse blog). Aprendemos com amigos e pertencemos a eles. Ensinamos e somos pertences deles. Deusolivre a fonte secar.
Li esses dias a expressão 'alma coletiva de um povo', que seria formada pela mistura de raças - no caso, a brasileira é muito rica. Aí, pensei que nós, do ponto de vista solitário, uno, também podemos ter uma alma coletiva, formada pela influência de amigos, das pessoas que nos cercam continuamente. E, vice-versa, fazemos parte da alma dessas pessoas. Deve ser daí que tiraram aquela "Digas com quem andas que te direis..."
Minha bala de goma preferida é a roxa. Roxa como as florzinhas dos jacarandás.
Zanzei, zanzei, zanzei pela cidade.
Zanzei, zanzei, zanzei o pensamento.
Voando o pensamento. Deve ser o vento de setembro.
03 setembro 2008
30 agosto 2008
Xilonen Jovelina
Tá, eu roubei lá do Rodrigo.
É que é divertido... ou pode ser.
Q cê acha? O que vale é a intenção...
Vai lá (aqui, ó) qdo estiver de bobeira descobrir que nome você teria se fosse filho(a) da Baby Consuelo e do Pepeu Gomes.
???!?!!!?!!
Afinal, o b ali do bLOg é de bobagem, né... Preciso justificar o nome deste blog.
Isso de passar adiante uma coisinha-engraçadinha-inutilzinha de Internet é o que chamam de Meme? Já ouvi falar disso vezes e vezes e nunca parei pra prestar atenção...
Meme. (acho que se lê com ênfase no primeiro "me". Assim: /même/)
Cada uma...
É que é divertido... ou pode ser.
Q cê acha? O que vale é a intenção...
Vai lá (aqui, ó) qdo estiver de bobeira descobrir que nome você teria se fosse filho(a) da Baby Consuelo e do Pepeu Gomes.
???!?!!!?!!
Afinal, o b ali do bLOg é de bobagem, né... Preciso justificar o nome deste blog.
Isso de passar adiante uma coisinha-engraçadinha-inutilzinha de Internet é o que chamam de Meme? Já ouvi falar disso vezes e vezes e nunca parei pra prestar atenção...
Meme. (acho que se lê com ênfase no primeiro "me". Assim: /même/)
Cada uma...
29 agosto 2008
Ao mestre, com carinho
Se você pudesse, o que mudaria em mim?
Vamos por partes, como diria Jack.
"Se" = conjunção condicional em que se expressa uma hipótese ou condição necessária para que se realize ou não a ação principal.
"você" = quem ser? preciso acertar para quem fazer essa pergunta. ah, "se" eu pudesse acertar...
"pudesse" = o sentido aqui é mais de probabilidade do que de permissão. Pressupõe que vc talvez não consiga. Ou seja, eu não mudo nada se eu mesma não quiser mudar. Uau, que clichezaço.
"o que" = quero uma lista de coisas... Ou não. Vai ver quero alguém me dizendo assim "não mudaria nada, vc tá ótima". Hmmm... Que bola nas costas... às vezes, um forte puxão de orelhas é um golpe e tanto mas elogios podem ser venenosos.
"mudaria" = o futuro do pretérito é tão melancólico, né? É confuso: dá futuro ao que já morreu ao mesmo tempo que mata o que viria.
"mim" = vc me conhece bem? Senão, não arrisque.
ih. não tomei meus remedinhos hoje.
ah. foda-se.
***
Da revista Vida Simples (fev/2008):
"Mestres ampliam nossos horizontes, nos estimulam a atingir nossos objetivos e são fontes inesgotáveis de orientação nas encruzilhadas da vida. Mas, cá entre nós, você sabe reconhecer um?"
"De poucas palavras, hábitos simples e vida rústica, Ignácio Campos Meirelles era a alma de Campo Formoso, cidade do sertão de Goiás. Único ferreiro do lugar lá pelos idos da década de 40, Ignácio tinha mãos de fada... (...). Para sua neta, uma menina de seis anos, ele era um rei (...) Com o avô, ela aprendeu a manejar a forja, fundir metais e moldar elos para fazer pulseirinhas (...) Com ele, a garota também aprendeu a ter coragem. Acompanhando os passos largos de Ignácio em suas andanças, era obrigada a atravessar pontilhões de estrada de ferro e olhar com coragem para o espaço vazio que ficava abaixo dos seus pés. Seu avô não era homem de olhar para trás pra ver se a menina o seguia ou não. 'Ele só dizia o que devia ser feito, como devia ser feito e pronto. O resto era comigo', se lembra ela, hoje com 72 anos."
***
Tá, então.
Diz o que deve ser feito, como deve ser feito e pronto. O resto é comigo.
É isso: eu só quero a clareza do seu Ignácio.
Vamos por partes, como diria Jack.
"Se" = conjunção condicional em que se expressa uma hipótese ou condição necessária para que se realize ou não a ação principal.
"você" = quem ser? preciso acertar para quem fazer essa pergunta. ah, "se" eu pudesse acertar...
"pudesse" = o sentido aqui é mais de probabilidade do que de permissão. Pressupõe que vc talvez não consiga. Ou seja, eu não mudo nada se eu mesma não quiser mudar. Uau, que clichezaço.
"o que" = quero uma lista de coisas... Ou não. Vai ver quero alguém me dizendo assim "não mudaria nada, vc tá ótima". Hmmm... Que bola nas costas... às vezes, um forte puxão de orelhas é um golpe e tanto mas elogios podem ser venenosos.
"mudaria" = o futuro do pretérito é tão melancólico, né? É confuso: dá futuro ao que já morreu ao mesmo tempo que mata o que viria.
"mim" = vc me conhece bem? Senão, não arrisque.
ih. não tomei meus remedinhos hoje.
ah. foda-se.
***
Da revista Vida Simples (fev/2008):
"Mestres ampliam nossos horizontes, nos estimulam a atingir nossos objetivos e são fontes inesgotáveis de orientação nas encruzilhadas da vida. Mas, cá entre nós, você sabe reconhecer um?"
"De poucas palavras, hábitos simples e vida rústica, Ignácio Campos Meirelles era a alma de Campo Formoso, cidade do sertão de Goiás. Único ferreiro do lugar lá pelos idos da década de 40, Ignácio tinha mãos de fada... (...). Para sua neta, uma menina de seis anos, ele era um rei (...) Com o avô, ela aprendeu a manejar a forja, fundir metais e moldar elos para fazer pulseirinhas (...) Com ele, a garota também aprendeu a ter coragem. Acompanhando os passos largos de Ignácio em suas andanças, era obrigada a atravessar pontilhões de estrada de ferro e olhar com coragem para o espaço vazio que ficava abaixo dos seus pés. Seu avô não era homem de olhar para trás pra ver se a menina o seguia ou não. 'Ele só dizia o que devia ser feito, como devia ser feito e pronto. O resto era comigo', se lembra ela, hoje com 72 anos."
***
Tá, então.
Diz o que deve ser feito, como deve ser feito e pronto. O resto é comigo.
É isso: eu só quero a clareza do seu Ignácio.
28 agosto 2008
Na posição
"Na posição" é uma recomendação na planilha de treinos. Aparece nas séries de natação, mas sei que vale para o ciclismo e a corrida. "Na posição" é, como direi... na posição. :)
Já tá dito. É fazer a série atenta à posição mais próxima possível da ideal, técnica. Não é fácil, principalmente quando se está cansado.
Lembrei de uma professora de pilates que eu tinha. Ela explicava o exercício, o movimento e, antes de começar, ela me dizia: 'te organiza'. Que significava isso: toma consciência de cada parte que é tua, de cada parte que tu vai usar, foca, concentra, procura tua respiração, por aí.
"Te organiza" é o mesmo que "na posição".
E eu gosto das duas recomendações. Porque são a base de tudo. É nelas que percebo que o treino não pode ser apenas uma folha de papel. Cada série "na posição" é a chance de eu falar tête-à-tête com o meu corpo, e ver quem está no comando. Às vezes, ganha ele; às vezes, ganho eu.
Quem sabe chegará o dia em que "na posição" seja a minha posição natural, espontânea. Na natação, na bike, na corrida, no pilates. Na vida.
Assim. Explico.
A gente precisa lembrar de ficar "na posição"na vida no dia-a-dia tb, né?
Não dá pra amolecer o braço na natação, atirá-lo lá pra frente como se não fosse teu; não dá para soltar o core no pedal, despediçar sua força; não dá para arrastar os pés na corrida, desistindo de toda a coxa à disposição.
Também não dá para rasgar a "série" quea vida o cotidiano nos apresenta (eu já tentei, mas a próxima série tende a ficar mais dura). A gente pode dar um tempo, ligar a TV pra não pensar em nada, dar uma volta na quadra, dançar até sujar a meia no carpete da sala ou ir dormir. Mas no dia seguinte...
"Na posição!"
"Te organiza e vai".
Treinos, triatlo, pilates e seja lá mais o que for 'aparentemente' apenas físico: tudo isso às vezes tem sentidos assim, meio viajandões pra mim.
Mas é só às vezes,eu juro.
Já tá dito. É fazer a série atenta à posição mais próxima possível da ideal, técnica. Não é fácil, principalmente quando se está cansado.
Lembrei de uma professora de pilates que eu tinha. Ela explicava o exercício, o movimento e, antes de começar, ela me dizia: 'te organiza'. Que significava isso: toma consciência de cada parte que é tua, de cada parte que tu vai usar, foca, concentra, procura tua respiração, por aí.
"Te organiza" é o mesmo que "na posição".
E eu gosto das duas recomendações. Porque são a base de tudo. É nelas que percebo que o treino não pode ser apenas uma folha de papel. Cada série "na posição" é a chance de eu falar tête-à-tête com o meu corpo, e ver quem está no comando. Às vezes, ganha ele; às vezes, ganho eu.
Quem sabe chegará o dia em que "na posição" seja a minha posição natural, espontânea. Na natação, na bike, na corrida, no pilates. Na vida.
A gente precisa lembrar de ficar "na posição"
Não dá pra amolecer o braço na natação, atirá-lo lá pra frente como se não fosse teu; não dá para soltar o core no pedal, despediçar sua força; não dá para arrastar os pés na corrida, desistindo de toda a coxa à disposição.
Também não dá para rasgar a "série" que
"Na posição!"
"Te organiza e vai".
Treinos, triatlo, pilates e seja lá mais o que for 'aparentemente' apenas físico: tudo isso às vezes tem sentidos assim, meio viajandões pra mim.
Mas é só às vezes,
26 agosto 2008
Platéia
Tem uma árvore grande na calçada em frente ao prédio onde moro. Seus galhos avançam tanto para o meio da rua quanto em direção às janelas da sala e do quarto. Gosto dela pertinho. É que, por exemplo, por causa dela posso escutá-los, os passarinhos. Nem aí para a platéia que ainda dorme o sono do inverno, cantam muito por volta das quatro e meia da manhã em diante. Acho que já os ouço há alguns dias, mas só na última madrugada é que tomei consciência, meio dormindo. E eu acho que sorri sem abrir os olhos ou me desgrudar do sono.
Esqueça a temperatura ou o calendário; o canto deles anuncia que outra estação está a caminho.
Depois, vêm as manhãs menos frias, os dias com tardes infinitas, as noites cheirosas, os vestidinhos leves, o pé no chão, o cabelo molhado espalhado nas costas nuas, enfim. Tudo de bom.
Na real, o imediato próximo passo é a piscina do clube encher de gente. rsrssr
A maioria das pessoas acha que natação não é pro inverno. Não adianta dizer que ali, a piscina, é seguramente o local mais quentinho do mundo quando os termômetros despencam. Se não é, vai ficar assim que vc começa a se mexer.
Acredite!
Mas é verdade: o inverno testa nossa fé - nossa, que frase mais "O tempo e o vento", né?
Na primavera, acreditar fica bem mais fácil. Em qualquer coisa - nossa, que frase mais, sei lá, auto-ajuda..
***
Leitor escolhe autores, certo? Certo. Há os preferidos, os que perseguimos, os que devoramos, os que respeitamos.
O contrário também acontece.
Quem escreve escolhe leitores também. Tem uns que não interessam; outros pelos quais se luta, se quer. É meio cruel e até repelente escrever isso num blog, mas é verdade. Nada pessoal, é apenas humano, eu acho.
Quem escreve quer ser lido, mas não serve qualquer platéia.
Não adianta o elogio do leitor que não se quer, não se respeita como tal. Sempre escrevemos para alguém - não um alguém com nome e endereço, mas um "tipo" de alguém.
Elogios de quem não interessa têm cor pastel. E críticas nesse caso são quase elogios - mas eu acho que isso acontece em todas as atividades, não?
Por isso, tem elogio e/ou crítica que vão valer/pesar mais - os do leitor que realmente se quer.
Dá pra se medir a qualidade de um texto pelo perfil do leitor que ele atrai.
Talvez não seja a medida mais justa, mas é a mais intensa e recompensadora.
Ou melhor: quem escreve redescobre seu próprio texto a partir do olhar do leitor que ele atraiu.
Mas também é verdade que não há nada de errado em uma pacata vida em tons pastéis entre escritor e leitor - se assim o escritor quiser. O Mario Quintana que disse uma vez, numa crônica cujo nome não lembro, "não acordem o leitor". Ele se referia a não surpreender, não sacudir o leitor com alguma palavra, frase, idéia... Porque dava trabalho: é preciso se responsabilizar por ele até o final do texto.
Pra mim, por exemplo, deu um trabalhão terminar este. Fui inventar de (tentar) te sacudir... Tô fora de forma.
Fase, fase...
tá quase na hora de os passarinhos começarem aqui na janela...
Esqueça a temperatura ou o calendário; o canto deles anuncia que outra estação está a caminho.
Depois, vêm as manhãs menos frias, os dias com tardes infinitas, as noites cheirosas, os vestidinhos leves, o pé no chão, o cabelo molhado espalhado nas costas nuas, enfim. Tudo de bom.
Na real, o imediato próximo passo é a piscina do clube encher de gente. rsrssr
A maioria das pessoas acha que natação não é pro inverno. Não adianta dizer que ali, a piscina, é seguramente o local mais quentinho do mundo quando os termômetros despencam. Se não é, vai ficar assim que vc começa a se mexer.
Acredite!
Mas é verdade: o inverno testa nossa fé - nossa, que frase mais "O tempo e o vento", né?
Na primavera, acreditar fica bem mais fácil. Em qualquer coisa - nossa, que frase mais, sei lá, auto-ajuda..
***
Leitor escolhe autores, certo? Certo. Há os preferidos, os que perseguimos, os que devoramos, os que respeitamos.
O contrário também acontece.
Quem escreve escolhe leitores também. Tem uns que não interessam; outros pelos quais se luta, se quer. É meio cruel e até repelente escrever isso num blog, mas é verdade. Nada pessoal, é apenas humano, eu acho.
Quem escreve quer ser lido, mas não serve qualquer platéia.
Não adianta o elogio do leitor que não se quer, não se respeita como tal. Sempre escrevemos para alguém - não um alguém com nome e endereço, mas um "tipo" de alguém.
Elogios de quem não interessa têm cor pastel. E críticas nesse caso são quase elogios - mas eu acho que isso acontece em todas as atividades, não?
Por isso, tem elogio e/ou crítica que vão valer/pesar mais - os do leitor que realmente se quer.
Dá pra se medir a qualidade de um texto pelo perfil do leitor que ele atrai.
Talvez não seja a medida mais justa, mas é a mais intensa e recompensadora.
Ou melhor: quem escreve redescobre seu próprio texto a partir do olhar do leitor que ele atraiu.
Mas também é verdade que não há nada de errado em uma pacata vida em tons pastéis entre escritor e leitor - se assim o escritor quiser. O Mario Quintana que disse uma vez, numa crônica cujo nome não lembro, "não acordem o leitor". Ele se referia a não surpreender, não sacudir o leitor com alguma palavra, frase, idéia... Porque dava trabalho: é preciso se responsabilizar por ele até o final do texto.
Pra mim, por exemplo, deu um trabalhão terminar este. Fui inventar de (tentar) te sacudir... Tô fora de forma.
Fase, fase...
tá quase na hora de os passarinhos começarem aqui na janela...
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