09 agosto 2009

"Tem cartão Bom Clube?"

Já perguntei pra uma delas, as caixas do supermercado Nacional, quantas vezes por dia elas dizem isso: "Tem cartão Bom Clube?".
Não foi bem uma pergunta, foi quase uma afirmação, um pensar alto, identificado com a loucura que deve ser ter de dizer a mesma coisa a cada um dos clientes que passam por ali.
A moça entortou a boca para um lado, jogou os olhos pra cima e, suspirando, largou algo como "nem me fala...".
Lembrei disso ao descobrir a existência desse livro, escrito por uma ex-caixa de supermercado francesa: Les tribulations d'une caissière.
(Muito francês um livro sobre isso neh? hehe)
O livro fala do tratamento dispensado pelos clientes... Desrespeito, humilhação, mas também boas histórias de amizade e gentileza. Segundo o relato da Anna Sam, a autora, ela repetia mais de 200 vezes por dia cada uma dessas 3 frases:
"vc tem um cartão de fidelidade?"
"vc pode retirar o seu cartão, por favor?"
"obrigada, tenha um bom dia."

O livro foi sucesso na França. E em 2009 chegou a outros 10 países.
Será que, aqui no Brasil, vão vender no súper? Naquelas prateleiras que a gente fica olhando enquanto espera a vez no caixa?

Há muitos trabalhos/empregos - talvez todos - que rendem histórias, livros... Ok, todos, mas alguns são mais livros do que outros...
Cobrador de ônibus, manobrista, vigilante noturno, operador de pedágio, eletricista de semáforo, taxista, bilheteiro de cinema, caixa de banco, frentista, garçom, caixa de Correios, atendente de lavanderia... nossa, muita coisa.
Cada profissão/trabalho/função acaba por definir a janela pela qual a gente assiste o mundo/a vida, neh?

Quem decide dividir isso, num blog ou num livro, está dando o ladinho na janela, convidando os outros a enxergar o mundo/a vida por outra perspectiva. E quem lê, aceita o convite, percebe que a sua própria perspectiva não é a única, talvez nem melhor, nem pior.
Dividir o que vivemos/sentimos é abrir janelas para arejar o pensamento. O nosso e o dos outros.

Um comentário:

Sílvia Paz disse...

Determinadas profissões passam despercebidas, ou não são dado o devido valor e respeito a elas, qtos caixas são tratados estupidamente, ou simplismente são vistos sem ser vistos.
Lembro de uma reportagem sobre os gari, eles são fundamentais, mas são fantasma.
Adorei teu texto me levou a refletir....
Mas o que mais gostei foi da frase final, essa mexeu comigo...
BJUS!!!!!

Bem juntinhas

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eu e a Búio